REUTERS/Ronen Zvulun
REUTERS/Ronen Zvulun

Procuradoria-Geral de Israel acusará Netanyahu por corrupção e fraude

Primeiro-ministro é investigado em três casos nos quais teria favorecido um grupo empresarial que controla a empresa de telefonia Bezeq e o portal noticioso Walla; antes da oficialização, ele poderá argumentar contra a análise legal dos procuradores

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2019 | 14h24
Atualizado 28 de fevereiro de 2019 | 19h11

JERUSALÉM - A Procuradoria Geral de Israel afirmou ontem que vai denunciar o primeiro-ministro do país, Binyamin "Bibi" Netanyahu, por receber propina, fraude e corrupção. A decisão vem a pouco mais de um mês das eleições no país, marcadas para o dia 9 de abril, e ameaça a formação de uma coalizão liderada pelo premiês. 

Em comunicado divulgado ontem pelo Ministério da Justiça, a procuradoria informou que Netanyahu, que nega as acusações, poderá argumentar contra a denúncia em audiência, em data ainda a ser definida. Só depois das manifestações de Bibi é que o procurador decidirá se indicia o primeiro-ministro. O processo de denúncia formal ainda pode levar meses. 

Netanyahu, que busca um quarto mandato, é suspeito de ter aceitado indevidamente presentes de um rico empresário israelense, bem como prestar favores a um dono de jornal em troca de uma cobertura favorável ao governo.

O partido de Netanyahu, o Likud, afirmou que as denúncias são fruto de “perseguição política”. Em pronunciamento sobre o assunto na TV israelense, na noite de ontem, o primeiro-ministro afirmou estar sendo vítima de uma “caça às bruxas” com o objetivo de influenciar os resultados das eleições de abril, acusando a esquerda israelense de pressionar uma denúncia às vésperas da votação.

“Algo de terrível está acontecendo e ferindo a democracia israelense”, afirmou Netanyahu ao jornal Haaretz. “Pela primeira vez na história do país, teremos uma audiência antes das eleições apenas para derrubar a direita e levar a esquerda ao governo. Não há outra explicação.”

Enquanto isso, o principal rival de Netanyahu nas eleições, o general Benny Gantz – fundador do recém-criado partido Resiliência Israel, que junto a outros concorrerá pela coligação intitulada Kachol Lavan (Azul e Branco) – informou que o possível indiciamento de Netanyahu impossibilita qualquer futura coalizão para a formação de um governo de direita.

“Dada a publicação das recomendações do procurador-geral, e as circunstâncias que elas criaram, sentar juntos (em um governo) com Netanyahu não é uma opção”, disse Gantz.

Questionado sobre os problemas legais de Netanyahu, importante parceiro em políticas com relação à Palestina e ao Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, renovou seu apoio ao aliado israelense. “Acho que ele tem sido um ótimo primeiro-ministro”, afirmou. 

A decisão do procurador-geral de Israel, Avichai Mendelblit, foi tomada após cerca de três anos de investigações em três casos separados. No primeiro, denominado “Caso 4000”, Netanyahu é acusado de prover concessões regulatórias a Shaul Elovitch, acionista controlador da empresa de telecomunicações Bezeq, em troca de cobertura favorável de seu site de notícias Walla. 

Já o intitulado “Caso 2000” foca em um acordo entre Netanyahu e Arnon Mozes, dono do jornal Yediot Aharonot, por uma cobertura favorável em troca de ações governamentais contra o diário rival Israel Hayom. 

No chamado “Caso 1000”, Netanyahu é acusado novamente de fraude e de quebra de confiança por aceitar presentes caros de empresários ricos, entre eles o magnata de Hollywood Arnon Milchan, em troca de favores políticos. 

Entre os presentes, avaliados em US$ 264 mil, estão charutos e garrafas de champanhe. A defesa do primeiro-ministro alega que é aceitável que ele receba presentes de amigos e garante que Netanyahu tomou decisões que prejudicaram os negócios de Milchan.

De acordo com o jornal Haaretz, em comunicado da decisão endereçado a Netanyahu, Mendelblit criticou o primeiro-ministro. “Você agiu em conflito de interesses e abusou de sua autoridade enquanto levava em conta outras considerações relacionadas aos seus interesses pessoais e os interesses de sua família. Você corrompeu os servidores públicos que trabalhavam sob suas ordens”, disse o procurador-geral. / AFP e REUTERS

 

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