Jorge Silva/Pool photo via AP
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Procuradoria peruana faz operação em propriedades do ex-presidente PPK

Pedro Pablo Kuczynski, investigado por pagamentos feitos pela Odebrecht por consultorias a duas empresas ligadas a ele, renunciou ao cargo

O Estado de S.Paulo

24 Março 2018 | 17h58

LIMA - A Procuradoria do Peru fez operações em duas propriedades do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski em Lima neste sábado, 24, em busca de documentos no âmbito da investigação por lavagem de dinheiro.

"O procurador Marcial Paucar comanda uma operação na casa de Pedro Pablo Kuczynski no distrito de San Isidro, e o procurador Luis Ballón dirige outra na casa do ex-presidente em Cieneguilla", afirmou o Ministério Público em seu Twitter.

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As operações são feitas um dia depois de o Congresso aceitar a carta de renúncia de PPK à presidência. O vice-presidente Martín Vizcarra assumir o cargo ainda na sexta-feira

Além disso, ao mesmo tempo em que ocorriam as operações, o procurador Hamilton Castro, a cargo da Equipe Especial Anticorrupção, sustentava em um tribunal o pedido de 18 meses de impedimento de saída do país contra o Kuczynski. "Senhor juiz, deve levar em conta que desde o século XIX no Peru há ex-presidentes que fogem do país, ou se submetem a longos processos de extradição, e outros que só retornam quando as acusações prescrevem. Por isso, peço o impedimento de saída", declarou.

"Os contatos internacionais do agora ex-presidente, assim como sua renda, permitiriam que ele abandonasse o território nacional com facilidade a qualquer momento", acrescentou.

A defesa do ex-presidente disse que aceitava o pedido do Ministério Público, pelo qual o juiz Juan Carlos Sánchez, do Sistema Especializado em Corrupção, deu lugar ao impedimento de saída do país.

Ex-banqueiro de Wall Street e com 79 anos, Kuczynski é investigado por pagamentos feitos pela Odebrecht por consultorias a duas empresas ligadas a ele, a First Capital e a Westfield Capital.

Os procuradores encarregados das operações têm a missão de coletar e reunir documentos que possam relacionar o ex-presidente às consultorias dadas por essas empresas à Odebrecht quando ele ainda era ministro da Economia e presidente do Conselho de Ministros, durante o governo de Alejandro Toledo (2001-2006), informou uma fonte da Procuradoria.

Segundo imagens da televisão, uma equipe do Ministério Público entrou na casa de Kuczynski com caixas. Na porta das casas havia policiais da Procuradoria.

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O ex-presidente havia negado qualquer ligação com a empreiteira, mas a Odebrecht revelou em dezembro ter pago quase US$ 5 milhões entre 2004 e 2013 pelas assessorias das consultoras ligadas a ele.

O procurador Castro disse na audiência que sobre o ex-presidente "há suspeita de criminalidade, não estou falando de certeza ou conclusões, mas de suspeitas que precisam ser investigadas". Sustentou que, se existir, o crime se qualificaria como lavagem de dinheiro por "atos de conversão e transferência de dinheiro não registrado".

"É necessário determinar a origem lícita ou ilícita das transferências feitas em um período entre 2007 e 2015 por três empresas estrangeiras para a conta de Kuczynski que somam pouco mais de US$ 1 milhão".

Castro ressaltou a importância de esclarecer a origem desse dinheiro porque Kuczynski participou de duas campanhas eleitorais entre 2011 e 2016. / AFP

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