Procuram-se agentes de informação para luta na Colômbia

A determinação das Farc de expandir as ações da bem treinada e equipada guerrilha colombiana do teatro de operações de selva para o cenário urbano está obrigando o comando conjunto das Forças Armadas a aumentar em 50% as estruturas operacionais dos serviços locais de inteligência.A mobilização envolve recursos da ordem de US$ 210 milhões, parcialmente financiados com recursos do pacote de US$ 538 milhões da ajuda americana prevista no orçamento do Pentágono para 2003. O efeito imediato da nova realidade do conflito é a liberação pelos EUA de informações obtidas pelos satélites da National Security Agency (NSA) e pela rede de captação da CIA.Na prática implica também a contratação de um novo tipo de mercenários, os agentes de informações. O recrutamento fora do país está sendo feito por duas empresas americanas, a Military Professional Resources (MPR) e a DynCorp. A MPR repassou parte da empreitada para o ex-coronel austríaco Paul Stein, que atua no Brasil desde os anos 70.Stein já levou para a Colômbia ex-oficiais da FAB, profissionais experimentados em pouso e decolagem curtos com os enormes aviões cargueiros quadrimotores C-130 Hércules. Outros pilotos agenciados por ele servem de instrutores para emprego em combate do turboélice Tucano, da Embraer, e de helicópteros artilhados UH-1.De acordo com o austríaco, pelo menos três ex-agentes do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), mais dois das organizações brasileiras de inteligência militar - todos ativos na época da repressão aos movimentos da esquerda armada - foram contratados pelo Ministério da Defesa da Colômbia recebendo salários de US$ 7 mil dólares "e bonificações por metas atingidas".O maior temor das autoridades de Bogotá é com o desenvolvimento de uma nova modalidade do conflito envolvendo os centros comerciais, bancários e industriais. "Um grupo de 50 guerrilheiros nas ruas de uma cidade pode produzir mais destruição que 500 combatentes de selva", afirma Fernando Quijano, ex-líder rebelde atualmente disputando um mandato parlamentar.Paul Stein, o capitão Paul Black ou ainda o coronel Black, sustenta que mora em Viena, mas é dono da agência Phoenix, com sede no Colorado, EUA. A empresa tem escritório em Herstal, na Bélgica. O mercenário tem fortes ligações com o Brasil. Ele foi sócio de uma fazenda no norte de Mato Grosso. Seu parceiro era um mercenário famoso, o belga Jean-Marie Schramme, criador dos Esquadrões Leopardo, na luta pela independência do Congo.Schramme se casou com a brasileira Edithe Pinheiro e teve quatro filhos. "A fazenda não prosperou", relata Paul Stein, que viu o amigo pela última vez em 1967, poucos dias antes de sua morte, de câncer. O corpo foi sepultado em Rondonópolis. Paul Stein usa o Rio de Janeiro como ponto de reunião de equipes de mercenários desde o final dos anos 80, "sempre no carnaval, quando a presença de estrangeiros se dilui em meio a milhares de turistas".A orientação aos SOF (Soldiers of Fortune, soldados da fortuna) é transmitida por anúncios publicados nas seções de classificados dos jornais com textos cifrados e validados por meio de palavras-chave.

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