'Procure-me mais tarde e consigo algo'

No Supermercado Excelsior Gama, a prateleira de papel higiênico é um deserto, um vazio. Mas a funcionária que se recusa a dar o seu nome fornece um dado para o comprador frustrado: "nunca sabemos quando o papel vai chegar, mas logo que o recebemos o colocamos à venda". "E voa. Em uma hora desaparece. Na semana passada recebemos na segunda e na quarta-feira. O que posso dizer é que a Farmatodo recebe e vende tudo todas manhãs."

CARACAS, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2013 | 02h10

Farmatodo é a maior rede de farmácias do país. Suas lojas são amplas e iluminadas, vendem muito mais do que remédios. Mas o dado fornecido não é verdadeiro. Eles não têm papel higiênico todas as manhãs, diz uma caixa. "Às vezes chega, mas não é certo. Por exemplo, na semana passada não recebemos. E hoje também não."

De qualquer maneira o rumor tem uma explicação: "Quando chega é de manhã. Umas 10 horas. Colocamos o produto à venda imediatamente e acaba muito rápido".

Há um rumor de que na zona residencial de Santa Fé sempre é possível comprar o papel. Ali, entre edifícios de classe média alta, há um local não muito grande, mas com um bom estoque de produtos, chamado El Patio, em que se encontra de tudo - menos papel higiênico.

O empregado, sentado no chão separando a mercadoria, responde ao cliente: "Na quarta-feira passada chegou, mas não voltamos a receber". Como é terça-feira, o homem calcula que em dois dias chegarão os rolos e percebe que pode conseguir uma propina: "Volte mais tarde. Pode me procurar que arranjo alguma coisa".

- Mas então vocês o guardam e vão vendendo pouco a pouco?

- Não, isso não podemos fazer. É proibido armazenar o papel. Mas o senhor sabe, sempre fica algum por aí... / O.M.

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