Prodi chega ao poder com promessa de reavivar economia

O reservado ex-professor de economia a recém empossado primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, enfrentará tarefas difíceis como o novo chefe de governo da Itália. Entre elas, duas se destacam pelo alto grau de complexidade: manter sua heterogênea coalizão de centro-esquerda unida e alavancar a economia do país. Prodi formou o 61º governo italiano do pós-guerra nesta quarta-feira depois de sua coalizão União conseguir uma apertada vitória nas eleições parlamentares de abril contra os conservadores liderados por Silvio Berlusconi. Apesar de estreita, a vitória colocou Prodi, de 66 anos, em uma posição única: ele é o primeiro a derrotar Berlusconi por duas vezes em batalhas eleitores. Como premier de 1996 a 1998, Prodi ganhou aplausos por colocar as atribuladas finanças italianas em forma a tempo de adotar a moeda única da União Européia, o euro. Agora, seu maior desafio será reavivar a economia, que está estagnada, enquanto tenta diminuir as dívidas e o déficit para patamares de acordo com as normas da União Européia. O primeiro governo de Prodi caiu depois de 2 anos e meio, perdendo uma votação parlamentar de confiança em uma única rodada, quando um aliado comunista retirou seu apoio. Apelidado de "Il Professore," (O Professor) Prodi é conhecido por sua paixão por corridas e ciclismo, e é freqüentemente representado em desenhos como um padre vestido de preto. Amigos e parentes afirmam que embaixo desta imagem suave existe um líder resoluto. Opinião que os críticos não compartilham, descrevendo Prodi como um tecnocrata europeu com pouca alma e atitude condescendente. Seu estilo não poderia ser mais distinto do de Berlusconi, com sua personalidade exagerada e extravagante. Prodi, por sua vez, tem uma voz suave e monótona e é acusado de ser chato e de não possuir carisma. E uma forte liderança é justamente o que ele precisará depois de uma eleição que deveria ter sido vencida com mais facilidade. Sua coalizão é composta por forças tão diversas como Comunistas e Democratas Cristãos. Os dois principais partidos, o centrista Margarida e os Democratas de Esquerda têm travado uma luta pelo poder para definir quem ocupará os principais postos do governo. Em uma tentativa de acalmar os mercados internacionais, o novo premier escolheu Tommaso Padoa Schioppa como ministro da economia. Schioppa é um economista respeitado internacionalmente e ex-membro do conselho executivo do Banco Central Europeu. Em 1999, Prodi se tornou presidente da Comissão Européia, o braço executivo da UE. Durante seus cinco anos na UE Prodi supervisionou a introdução do euro e a expansão do bloco para o leste em maio de 2004.O oitavo de nove irmãos, Prodi nasceu em 1939 na pequena cidade de Scandiano, na próspera região de Emília Romagna. Ele se tornou professor de Economia na Universidade de Bologna aos 32 anos, cedo para os padrões italianos. Prodi também serviu como diretor de um grande holding industrial do Estado, a companhia IRI, entre 1982 e 1989. Entre 1993 e 1994 o novo premier liderou o processo de privatização do conglomerado.

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