Prodi defende choque na economia e critica Guerra do Iraque

O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, em seu primeiro discurso ao Parlamento depois de tomar posse, afirmou nesta quinta-feira que a economia da Itália precisa de um "forte choque" para reverter anos de dívidas e déficit. Durante a cerimônia de posse dos 72 novos subsecretários, Prodi disse que o país está "bloqueado" e o novo Governo tem que fazer "uma mudança substancial.""Temos um país bloqueado, que perdeu a orientação ética, as linhas de ação, por isso o novo Executivo tem a grande tarefa de imprimir uma mudança substancial", afirmou Prodi durante a cerimônia. O Governo se apresentará nesta sexta-feira perante o Senado para apresentar o programa e pedir o voto de confiança. Na segunda-feira será a vez da Câmara dos Deputados. A decisão de Prodi de apontar o respeitado economista Tommaso Padoa Schioppa como o novo ministro da Economia do país ressaltou o maior desafio do governo: reavivar a economia estagnada italiana enquanto diminui suas dívidas e déficit. As finanças da Itália sofrem graças aos altos custos trabalhistas, produtividade estagnada e forte competição de mercados asiáticos. Prodi reiterou que o ponto principal de plataforma econômica do governo será a redução dos impostos para ajudar empresários italianos a ganhar poder de competitividade. Ele também renovou sua promessa de campanha de diminuir impostos em 5% durante seu primeiro ano de governo. Guerra do Iraque O premier italiano também afirmou nesta quinta-feira que a guerra no Iraque foi um "grave erro" que destampou "a caixa de Pandora" e que o terrorismo deve ser combatido primariamente nos campos "político, social e econômico".Ele adiantou que seu governo só irá apoiar a participação da Itália em operações antiterroristas se elas forem sancionadas por organizações internacionais, como as Nações Unidas."Consideramos a guerra e ocupação do Iraque um grave erro que não resolveu - na verdade complicou - o problema de segurança", disse Prodi. "O terrorismo encontrou uma nova base e uma nova desculpa para suas ações internas e externas".Além de defender que a guerra seja lutada prioritariamente nos campos "político, social e econômico", o centro-esquerdista Prodi quer que ela seja travada de forma que "não limite nossa liberdade nem nossos direitos".Como líder da oposição, Prodi se opôs à guerra no Iraque e anunciou durante a campanha que as tropas remanescentes seriam retiradas "o mais rápido possível".O governo do ex-primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi enviou cerca de 3 mil soldados italianos ao Iraque a fim de ajudar na reconstrução após a derrubada de Saddam Hussein em 2003, uma medida fortemente criticada pela grande maioria dos italianos.O contingente vem sendo retirado gradualmente, e Berlusconi havia prometido retirar o restante até o fim do ano. Prodi não precisou uma data para a retirada, dizendo apenas que isto será definido em consultas com as autoridades iraquianas.

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