Prodi é alvo de críticas após negociações para libertar refém

Negociações por parte da Itália para soltar militantes Talebans em troca de um refém italiano no Afeganistão colocaram o primeiro-ministro do país, Romano Prodi, em evidência dias antes de uma votação parlamentar crucial para manter as tropas italianas no Afeganistão.A jogada atraiu a ira da oposição conservadora, cujo apoio pode ser necessário na votação do senado semana que vem, além de colocar fogo em questões de longa data sobre como Roma lida com a situação dos reféns.O vice-ministro de Relações Exteriores disse que o governo afegão pediu a soltura de cinco prisioneiros integrantes do Taleban em troca do repórter Daniele Mastrogiacomo, do jornal La Repubbilca, capturada duas semanas antes.Enquanto críticas vinham da oposição conservadora, alguns partidários de Prodi também expressaram descontentamento. O ex-premiê Silvio Berlusconi disse que "nós italianos somos agora considerados inconfiáveis por nossos próprios aliados".Uma autoridade do Ministério da Defesa defendeu as negociações dizendo que a oposição deu "carta branca para fazer tudo que fosse possível" para libertar Mastrogiacomo, dizendo que criticar agora "é muito fácil"."Para nós, relações com os Estados Unidos são fundamentais, um dos pilares para a política externa italiana", disse o subsecretário de Defesa, Lorenzo Forcieri, à rádio estatal italiana.O apoio dos conservadores pode ser crucial porque Prodi tem maioria de uma cadeira no Senado e alguns radicais esquerdistas estão se opondo à missão. Eles já fizeram o governo ser mal sucedido em questões ligadas À política externa semanas atrás.Descontentamento americanoO Departamento de Estado dos EUA criticou novamente nesta quinta-feira as negociações italianas para soltar a jornalista presa no Afeganistão, dizendo esperar que esses acordos não sejam feitos no futuro.A Secretária de Estado, Condoleezza Rice, falou com o ministro italiano do Exterior, Massimo D´Alema, sobre a possível soltura de cinco militantes Talebans presos.Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado, disse que "nossa visão é conhecida e bem clara: Nós não negociamos com terroristas e não aconselhamos outros a fazer o mesmo".Perguntado se os EUA estão cientes de que o caso pode encorajar outros no Afeganistão a acreditar que podem ter suas demandas realizadas em futuros sequestros, McCormack disse que "certamente, há conseqüências impensadas numa ação como essas".

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