Prodi e Berlusconi participam de decisivo debate

O primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi e o líder opositor de centro-esquerda Romano Prodi participaram na noite desta segunda-feira do último debate pela TV antes das eleições gerais dos dias 9 e 10, com a atenção voltada para os eleitores indecisos. Eles representam uma fatia de 30% do eleitorado italiano. Entre os eleitores que já se decidiram, as sondagens apontam vantagem de 3 a 5 pontos porcentuais para Prodi sobre Berlusconi. A diferença pode ser insignificante diante do universo de eleitores ainda sem candidato. Por isso, o debate desta noite pela televisão era considerado decisivo. Como o irreverente Berlusconi teve um mau desempenho no primeiro debate, ocorrido no início do mês passado, ele vinha se preparando intensivamente para dar o troco a Prodi, um professor de economia polido e bem articulado. Um recente deslize da coalizão de centro-esquerda encheu o primeiro-ministro conservador de confiança. É que os partidos da esquerda ainda estão divididos quanto à política fiscal a ser adotada no caso de uma vitória da coalizão. Vazou para a mídia que alguns dirigentes partidários estariam defendendo uma elevação das alíquotas de imposto de renda, que incide sobre lucros e salários. Era a chance que Berlusconi esperava para contra-atacar. "Esse é o partido dos impostos", disparou Berlusconi advertindo os italianos para não votar na coalizão opositora de centro-esquerda. "Agora, vou passar para o ataque", exultou Berlusconi que tem desenvolvido uma campanha agressiva e insultuosa contra Prodi e a coalizão de centro-esquerda. "Vamos falar de impostos e vamos acabar com ele", acrescentou, referindo-se a sua estratégia para o debate. Sentindo a força da estocada, Prodi procurou corrigir a mira. "Tudo não passou de um erro de comunicação", explicou ele pouco antes de entrar no estúdio da RAI. Outro alvo de Berlusconi no debate foram os católicos italianos que, segundo as pesquisas, estão tentados a abster-se. Berlusconi dirigiu um apelo direto a eles, fundamentado no apoio que recebeu na última semana do conservador Partido Popular Europeu, e em sua identidade e em seu apoio público a um novo partido religioso criado no país para "defender os valores ocidentais". A estratégia de Prodi foi dirigida para o mau desempenho da economia italiana - um dos piores da União Européia - durante os cinco anos de mandato de Berlusconi. O líder da oposição de centro-esquerda bateu na mesma tecla do primeiro debate que surtiu o efeito que ele esperava. Berlusconi, segundo Prodi, teria usado seu mandato para administrar o país tendo como pano de fundo seus próprios interesses. Isto é, manter seu império da comunicação intacto. Segundo a oposição, a condição de empresário de Berlusconi é incompatível com o cargo que ele ocupa de chefe de governo.

Agencia Estado,

03 Abril 2006 | 20h14

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