Prodi terá uma semana chave após demissão de Berlusconi

O vencedor das eleições italianas, Romano Prodi, inicia nesta segunda-feira uma semana chave para seu futuro governo, que será formado após a renúncia de Silvio Berlusconi prevista para terça-feira.Após se negar a admitir sua derrota, Berlusconi anunciou este fim de semana que na terça-feira presidirá seu último conselho de ministros, convocado para 12h30 (07h30 Brasília), e em seguida irá ao palácio do Quirinale para, finalmente, pôr seu cargo à disposição do chefe do Estado.A partir desse momento, se abrirá o caminho para a criação do novo governo de centro-esquerda, embora antes de liberar as consultas, o presidente, Carlo Ciampi, tenha que esperar que os grupos parlamentares sejam formados, o que está previsto para acontecer na terça ou na quarta-feira.Após esse passo, os presidentes das duas câmaras informarão que existe uma maioria parlamentar efetivamente suficiente para governar, fazendo com que Ciampi, quando considerar conveniente, encomende a formação do governo a Prodi.A implementação do novo Gabinete poderia ser adiada caso o chefe do Estado decida deixar essa responsabilidade para seu sucessor, já que seu mandato de sete anos termina em 18 de maio e ele será substituído pelo novo presidente eleito pelo Parlamento.Diante da possibilidade - cada vez maior, segundo a imprensa italiana - de receber a responsabilidade de formar o governo esta semana, Romano Prodi acerta os detalhes de seu futuro Gabinete em várias reuniões com os principais líderes de sua coalizão.O futuro primeiro-ministro assegurou que terá a lista deministros preparada na sexta-feira, mas, para isso, Prodi ainda deve resolver as disputas entre seus aliados por alguns dos principais Ministérios.É o caso do Ministério da Defesa, que é disputado pelo líder do partido democrata-cristão Udeur, Clemente Mastella, e a ex-eurodeputada Emma Bonino, da Rosa no Punho, uma aliança de radicais com o Partido Socialista.A aliança Rosa no Punho sustenta que sua candidata possui mais crédito que Mastella, um ex-aliado de Berlusconi, enquanto a própria Bonino considera "uma revolução" o fato de uma mulher estar à frente desse Ministério na Itália, segundo uma entrevista publicada nesta segunda pelo jornal La Stampa.Além da lista de ministros, a atenção também se volta esta semana para a sucessão de Carlo Ciampi, um dos presidentes mais populares da história da República italiana.O bloco conservador liderado por Berlusconi quer que seucandidato seja eleito presidente para que haja "pelo menos" um representante da centro-direita em um cargo institucional importante, e para isso propõe nomes como o do subsecretário da Presidência do governo, Gianni Letta.Berlusconi falou várias vezes em público sobre a capacidade de trabalho de Letta, seu braço direito, considerado por muitos uma figura discreta, mas eficiente. Na centro-esquerda, o nome mais forte é o do presidente dopartido Democratas de Esquerda, Massimo D´Alema, que renunciou à disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados para evitar uma disputa com seu aliado Fausto Bertinotti, da Refundação Comunista, que ficou com o cargo.A sessão parlamentar para escolher o novo chefe do Estado está convocada para 13 de maio.

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