Prodi vence eleição apertada para a Câmara italiana

A oposição de centro-esquerda liderada por Romano Prodi ganhou nesta segunda, por apenas 25.224 votos - menos de 0,1 ponto porcentual -, as eleições para a Câmara de Deputados da Itália. Prodi também tinha esperança de reverter, com os votos do exterior, sua pequena desvantagem na disputa pelo Senado. Segundo dados do Ministério do Interior, encerrada a apuração dos votos para a Câmara, a União, de Prodi, conquistou 49,8%, ou 0,07 ponto a mais que a coalizão de centro-direita Casa da Liberdade, do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Em número de votos, a aliança opositora obteve 19.001.684 e a governista, 18.976.460. Minutos antes de sair o resultado oficial, Prodi anunciou a vitória. "Ganhamos. Hoje começa a primavera", disse ele a partidários numa praça de Roma, celebrando sua segunda vitória nas urnas contra Berlusconi - a primeira foi em 1996. "Agora temos de colaborar, todos juntos, para unificar o país", acrescentou, admitindo que a Itália saiu dividida das urnas. Pela lei, a vitória, embora por uma diferença pequena, dá automaticamente à União pelo menos 340 das 630 cadeiras da Câmara. Já a Casa da Liberdade terá pelo menos 277. Outras 12 serão definidas pelos votos no exterior. O triunfo na Câmara garante a Prodi o direito de ser nomeado pelo presidente para formar e chefiar o próximo governo. Recontagem No entanto, a coalizão de Berlusconi contestou imediatamente a vitória de Prodi e exigiu a recontagem dos votos. "Rejeitamos que a centro-esquerda tenha vencido", afirmou o porta-voz de Berlusconi, Paolo Bonaiuti. "Nenhuma das duas coalizões obteve mais de 50% e a diferença foi inferior a 25 mil votos. Essa diferença tão reduzida exige uma escrupulosa verificação da apuração de votos e das atas." Quanto ao Senado, apurados todos os votos depositados na Itália, a Casa da Liberdade terminou com 50,2%, garantindo 155 das 315 cadeiras em disputa. A União ficou com 48,95%, garantindo 154 cadeiras. As outras seis cadeiras serão definidas pelos votos de italianos no exterior. A aliança de Prodi afirmou ter conquistado quatro dessas cadeiras, mas o resultado oficial só deve sair na terça. A corrida Ao todo, foram às urnas na Itália 83,6% dos eleitores. Dos eleitores que vivem no exterior, 42,7% votaram. O recorde foi da América Latina, com 51,81%. Durante o dia, a Itália ficou em suspense acompanhando o vaivém da apuração. Logo depois que foi encerrada a votação, às 15 horas locais (10 horas de Brasília), o instituto Nexus, o de maior credibilidade do país, anunciou uma projeção que dava a Prodi uma vantagem de 4 a 5 pontos porcentuais nas duas disputas - pela Câmara e pelo Senado. Mas, à medida que a apuração se desenvolvia, a situação foi se invertendo, fazendo com que o humor mudasse de lado. Diante da reação da coalizão conservadora de Berlusconi, a esquerda viu-se forçada a adiar a festa para a qual já se concentrara, e o Nexus acabou retirando sua projeção e anunciando que a disputa estava muito apertada para que se pudesse indicar um vencedor. Numerosas tendas haviam sido montadas diante da sede da coalizão de centro-esquerda e suas bandeiras inundavam a praça. Também a Piazza Del Popolo chegou a ser preparada para a grande festa. Os porta-vozes de Prodi anunciavam que o líder deveria se dirigir à população por volta das 17 horas. O pronunciamento, porém, só ocorreu na madrugada da terça-feira.

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