Produção afegã de ópio mantém crescimento alarmante

Relatório aponta produção para financiamento da guerra insurgente; país produz 90% da droga no planeta

Agência Estado e Associated Press,

06 de fevereiro de 2008 | 10h31

A produção de ópio nas áreas controladas por rebeldes no sul e no sudoeste do Afeganistão continua crescendo de forma alarmante e a expectativa é de que aumente ainda mais este ano, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) ao divulgar um relatório apresentado nesta quarta-feira, 6, em Tóquio   O documento, elaborado pela Agência das Nações Unidas de Combate às Drogas e ao Crime Organizado, afirma ainda que a produção de maconha também está aumentando no Afeganistão. Sozinho, o país centro-asiático é responsável por mais de 90% de toda a produção de ópio do planeta. A substância serve de matéria-prima para a heroína.   A agência da ONU estima que rebeldes ligados à milícia fundamentalista islâmica Taleban tenham conseguido angariar US$ 100 milhões cobrando impostos para proteger os agricultores que cultivam papoula e os produtores de ópio.   "De fato, os taleban estão angariando uma grande quantia para financiar a guerra impondo um imposto de 10% sobre a produção", afirmou Antonio Maria Costa, diretor executivo da agência.   No ano passado, o Afeganistão dedicou 193.000 hectares de terra - um recorde - à produção de papoula e ópio, 14% a mais do que no ano anterior. A produção total, estimulada pelo volume de chuva bastante acima da média, cresceu ainda mais: 34%. Ao mesmo tempo, afirmam os autores do estudo, a expectativa é de que a produção fora das áreas controladas pelos rebeldes diminua O relatório da Agência das Nações Unidas de Combate às Drogas e ao Crime Organizado foi divulgado às margens de uma reunião internacional sobre o Afeganistão realizada na capital japonesa.   Costa e o general Khodaidad, ministro afegão encarregado interinamente do combate ao narcotráfico, atribuíram a expectativa de redução no restante do país aos programas elaborados para que os agricultores troquem a plantação de papoula por cultivos lícitos. "A campanha pré-plantação é a melhor forma de combater as drogas no Afeganistão porque envolve a população local. Estamos encorajando as pessoas a não plantarem papoula", disse Khodaidad que, assim como muitos afegãos, usa apenas um nome.   Entretanto, nenhuma das plantações lícitas, como milho, arroz e algodão, é capaz de fazer frente à receita obtida com a papoula, estimada pela ONU em US$ 5.000 por hectare.   Além do ópio, o estudo constatou ainda que a maconha é cultivada atualmente em 18% das regiões pesquisadas, de 13% no ano anterior. As áreas dedicadas à plantação de maconha já superam a marca dos 70.000 hectares.   Na terça-feira, também em Tóquio, o Banco Mundial divulgou relatório segundo o qual o mundo precisaria investir US$ 2 bilhões em projetos de irrigação, estradas e outras formas de desenvolvimento das áreas rurais afegãs para evitar que os agricultores plantem papoula. Pelos cálculos do Banco Mundial, o dinheiro precisaria ser investido no país ao longo dos próximos dez anos.

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