Produção cultural da Coreia do Norte glorifica dinastia Kim

Exaltação do programa nuclear norte-coreano e patriotismo aparecem em cinemas e concertos

Claudia Trevisan, enviada especial a Pyongyang,

14 de abril de 2013 | 08h00

PYONGYANG - Os norte-coreanos não escapam da propaganda e da doutrinação ideológica nem quando vão a museus, concertos ou cinema. Quase toda a produção cultural do país tem por tema a glorificação da dinastia Kim, a lembrança da guerra contra a colonização japonesa e os norte-americanos e a exaltação do patriotismo e do "brilhante futuro" diante do país.

No Museu de Belas Artes, a reportagem do Estado contou 35 quadros com imagens de Kim Il-sung, de seu filho Kim Jong-il ou de ambos. A família domina as dez salas dedicadas à arte posterior à colonização do Japão, que ocupou o país de 1910 a 1945.

Com exceção de algumas paisagens, os Kim dominam a exibição - mesmo quando seus rostos estão ausentes das pinturas. Um quadro retrata a casa onde nasceu Kim Jong-su, mulher de Kim Il-sung e mãe de Kim Jong-il, chamada de "grande heroína da guerra contra o Japão".

Outros mostram as flores batizadas em homenagem aos dois líderes, kimilsungia e kimjongilia, elementos de destaque da mitologia sobre a família Kim. Não há nenhum obra no museu de caráter abstrato e a sutileza está ausente do exercício de propaganda.

O Museu de História, localizado do outro lado da praça Kim Il-sung, também tem sua mostra do século 20 dominada pela dinastia governante. Em um dos quadros, o bisavô de Kim Il-sung é apresentado como integrante do grupo que incendiou o navio norte-americano General Sherman, em 1866. Seu pai é representado como um patriota que resistiu à ocupação japonesa do país e deu aulas carregadas de mensagens patrióticas.

A construção desses mitos em torno da família Kim tem a função de apresentar seus integrantes como os legítimos dirigentes do país, em uma versão bastante tardia da teoria da origem divina do poder que sustentou as monarquias absolutistas que existiram na Europa.

A reportagem do Estado também foi a um concerto da orquestra sinfônica norte-coreana, cujo repertório eram adaptações de canções revolucionárias ou de celebração a um dos Kim. O mesmo modelo se repete nas telas de cinema, dominadas por personagens patrióticos, dispostos a dar a vida pelo país e seus líderes.

A exaltação do regime e de seu programa nuclear também está no centro do repertório da banda Moranbong, a grande sensação no que existe de mais próximo ao mundo pop no universo norte-coreano. Integrado por jovens mulheres vestidas de mini saia e broches de Kim Il-sung e Kim Jong-il, o grupo realiza shows com imensos telões digitais, nos quais são projetadas imagens bélicas e de celebração do regime norte-coreano.

A banda surgiu no ano passado, sob os auspícios de Kim Jong-un, e se apresentou na sexta-feira a unidade do Exército Popular da Coreia. "Os criadores e as artistas do grupo prometeram que vão esperar os soldados em um palco montado para celebrar a vitória na guerra sobre os escombros das fortalezas do inimigo", disse a agência de notícias KCNA.

 

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