''''Produção de etanol precisa ser bem planejada''''

Órgão da ONU teme um descontrole e propõe que só terras já degradadas sejam usadas na expansão do biocombustível

O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2007 | 00h00

O Brasil precisa garantir a proteção da Amazônia e impedir a "expansão descontrolada" do etanol. Em entrevista ao Estado, a secretária do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Renate Christ, deixou claro que a entidade acredita que a produção do etanol pode trazer benefícios para o combate à mudança climática. Mas sua produção precisa ser planejada. Eis os principais trechos da entrevista:Qual é o recado que o IPCC pode dar hoje ao Brasil no combate à alteração climática?Pelas informações que temos até agora, sabemos que o grande problema no Brasil será a Amazônia. A previsão é de uma queda no volume de chuvas, o que afetará diretamente a floresta. Com esse risco em mente, precisamos trabalhar para obter informações mais detalhadas sobre a região e pedimos sempre a todos os governos que se concentrem na produção de conhecimento científico sobre áreas como a Amazônia. Nosso grande problema, e não é só com o Brasil, é o de construir um conhecimento para que possamos ter uma noção mais exata do que irá ocorrer a médio e longo prazos.Estão sendo feitas cada vez mais acusações de que a cana-de-açúcar para a produção de etanol começa a ganhar a região de florestas. O IPCC está preocupado com essa tendência? Sim, nós estamos preocupados. O etanol por si só não é o problema. Ele pode produzir contribuições reais ao clima e já sabemos que os benefícios são claros. Mas isso depende de um planejamento.Como deveria ser esse planejamento?Estamos alertando que tudo dependerá de quais terras serão usadas para cultivar os produtos usados nos biocombustíveis. Nossa idéia é a de que as terras usadas para a expansão do etanol sejam apenas aquelas já degradadas e com poucas chances de ser recuperadas. Nosso temor é pela expansão descontrolada do etanol, sem uma avaliação das conseqüências. Na Europa, por exemplo, pode haver ainda uma competição acirrada pela terra entre produtores de alimentos e de etanol. O mesmo pode ocorrer em outras partes do mundo - e não se descarta a possibilidade de que isso crie graves problemas sociais. Em algumas regiões, estamos alertando que até a fome pode aumentar e pode haver pressões sobre áreas de florestas.Qual é a recomendação na formulação de políticas para o setor do etanol?Se existem metas de aumento da produção e do consumo de etanol, como ocorre na Europa, precisamos também saber de onde virão esses recursos e produtos importados. Não podemos criar um problema em outras regiões do mundo para tentar resolver um problema em outro lugar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.