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Produção de petróleo no Irã mais que dobrou após acordo nuclear

Impacto para a economia foi grande e envolveu novos negócios com o Brasil, segundo embaixador

Renata Tranches, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2017 | 05h00

Desde que as sanções internacionais foram levantadas, após o acordo sobre seu programa nuclear, em julho de 2015, as exportações de petróleo do Irã mais que dobraram - de 1 milhão para 2,5 milhões de barris por dia. O impacto para a economia foi grande e envolveu novos negócios com o Brasil, segundo o embaixador iraniano em Brasília, Seyed Ali Saghaeyan, em entrevista ao Estado.

O Irã celebra os benefícios econômicos que as negociações nucleares permitiram ao país, ainda que agora o novo presidente americano, Donald Trump, ameace revê-lo. Segundo Saghaeyan, as dificuldades de transporte marítimo acabaram e os navios estrangeiros atracam facilmente hoje nos portos iranianos.

“A área de cooperação bancária com os importantes países europeus, especialmente com Alemanha, França e Itália, teve muita abertura”, afirma o embaixador, lembrando que todos os valores relativos ao petróleo que estavam bloqueados estão sendo recuperados. De acordo com ele, o governo iraniano, desde então, conseguiu baixar a taxa de inflação de mais de 40% ao ano para o nível de um dígito. 

Logo nos primeiros dias de seu governo, Trump disse que estava colocando o Irã “sob observação” e, durante a campanha, insistiu que poderia ter feito acordo melhor que o alcançado pelo P5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido mais a Alemanha). Segundo o embaixador, porém, trata-se de um acordo no qual todos os lados ganharam e sua manutenção “é de interesse de todos os países e da ordem mundial”.

“Até o momento em que outras partes mantenham seus compromissos, respeitaremos os nossos”, disse. Saghaeyan reitera que a União Europeia já reforçou a necessidade de se manter o pacto, que também é benéfico aos EUA. “E eles (americanos) sabem disso. O acordo não foi feito com um único país, e sim com seis potências mundiais”, lembra. 

Desde que o Irã teve as sanções levantadas, as relações comerciais com o Brasil, de acordo com o embaixador, têm tido um “ritmo crescente”. O intercâmbio entre eles, afirmou, passou de US$ 1,9 bilhão, em 2015, para US$ 2,1 bilhões, em 2016. Segundo o embaixador, alguns pontos poderiam melhorar, como a facilidade alfandegária e o fluxo de transferências cambiais. “As empresas iranianas sofrem prejuízos de 15% a 20% em razão de despesas extras.”

Uma das áreas mais importantes de cooperação entre os dois países é a de energia. De acordo com o embaixador, ambos trabalham na negociação de um projeto de instalação de refinaria de petróleo no Estado do Maranhão.

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