Produção de produtos olímpicos usa trabalho infantil na China

Chineses são forçados a fazer horas extras e recebem baixos salários, diz relatório

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

Produtos oficiais dos Jogos Olímpicos de 2008, na China, foram produzidos usando trabalho infantil, horas extras forçadas e salários baixos para aumentar lucros, segundo Playfair, uma aliança global de sindicatos.A campanha condena, em um relatório, o que chama de "sérias violações de direitos dos trabalhadores" em quatro fábricas chinesas, onde são feitos bonés, bolsas e artigos de escritório levando a marca dos jogos.O relatório - entitulado ´No medal for the Olympics on labour rights´ (Nenhuma medalha para os Jogos Olímpicos na categoria direitos do trabalho, em uma tradução livre) - inclui entre as violações o uso de trabalhadores de 12 anos de idade.Guy Ryder, secretário-geral da Confederação Internacional dos Sindicatos disse que "é um motivo de vergonha para todo o movimento olímpico que violações tão sérias possam estar ocorrendo em fábricas que têm licença para fazer produtos relacionados aos jogos."As empresas citadas no relatório negaram as acusações.O Comitê Olímpico Internacional, que deve se reunir na Grã-Bretanha nesta terça-feira, disse não ter controle sobre as empresas que fabricam tais produtos, mas que as cidades que abrigam os jogos têm o dever de adotar padrões justos de trabalho.O porta-voz do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim, Sun Weide, disse não ter lido o relatório, mas afirmou que "quando é feito um acordo, a empresa tem de se comprometer a seguir as leis trabalhistas chinesas"."A China não permite trabalho infantil", afirmou.BBC visita fábricasA BBC visitou duas das fábricas mencionadas no relatório e os gerentes negaram as acusações.Lekit é uma empresa taiwanesa que opera na cidade de Dongguan, na província de Guangdong há 20 anos. Está fazendo copos de papel, agendas e adesivos que levam os símbolos olímpicos.O relatório acusa a fábrica de empregar crianças e forçá-las a trabalhar até 13 horas por dia."Não é verdade", disse o gerente Michael Lee. "Nós trabalhamos para algumas das melhores marcas do mundo e eles checam o nosso trabalho todo mês".Ele disse que os 420 trabalhadores ganham um salário básico de U$ 91 por mês e horas extras são pagas com um adicional de 50%.´Boas condições´Nos arredores da cidade de Shenzhen, a empresa Mainland Headwear Holdings também negou qualquer violação.O diretor de produção Samuel Wai disse à BBC que eles seguem "todas as regulamentações do governo" e afirmou não entender "de onde as acusações surgiram"."Os trabalhadores têm um bom ambiente aqui e boas condições de trabalho", afirmou.A equipe da BBC conversou com alguns dos trabalhadores que vivem em apartamentos do lado de fora da fábrica e eles concordaram com Wai.Outra empresa citada pelo relatório é Eagle Leather Products, em Guangdong, que faz bolsas com os símbolos olímpicos.Segundo o documento, a maior parte dos trabalhadores é obrigada a trabalhar 30 dias ao mês, com horas extras forçadas.A agência de notícias Associated Press conseguiu contactar a fábrica e falou com uma mulher que se identificou como Chang."Eu não posso concordar com o relatório", disse Chang."Nosso horário de trabalho é das 8 da manhã às 6 da tarde, não há horas extras e não há trabalho infantil", afirmou.

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