Produção petrolífera sobe na Venezuela, admitem grevistas

Trabalhadores grevistas da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) reconheceram ontem que a produção petrolífera do país já ultrapassa 1 milhão de barris por dia. A cifra ainda está muito abaixo da produção normal média de 2,8 milhões de barris diários, mas indica uma significativa recuperação da produção registrada nas semanas anteriores, de menos de 500 mil barris por dia. Numa nota à imprensa, os petroleiros grevistas - categoria-chave para a greve geral contra o governo de Hugo Chávez, movimento que parecia perder a força ontem após 58 dias - informaram que o aumento da produção foi obtido "em jazidas cuja exploração é recente e nas quais a extração de petróleo é relativamente fácil e requer pouco esforço técnico". No fim de semana, durante visita ao Fórum Social Mundial de Porto Alegre, Chávez afirmou que a produção chegará a 2 milhões de barris diários até a semana que vem. Com a redução da exportação de petróleo pressionando a economia do país, o governo prorrogou ontem a suspensão das operações de câmbio na Venezuela. As ações de compra e venda de dólares, suspensas na sexta-feira, seriam retomadas hoje, mas o governo decidiu manter a suspensão por pelo menos mais uma semana "para afinar o processo de adoção de uma política cambial muito forte", explicou o ministro das Finanças, Tobías Nóbrega. O governo deve adotar o regime de câmbio fixo. Na quinta-feira, US$ 1 valia 1.830 bolívares. Ontem, com o mercado oficial suspenso, US$ 1 era comprado por até 2.500 bolívares no câmbio paralelo. "As pessoas estão pagando o quanto podem para trocar seu dinheiro por moeda forte e tirá-lo do país", disse um cambista. Nos próximos dias, a equipe econômica deve esclarecer as regras do controle de preços, medida anunciada por Chávez no domingo. Com as marchas da oposição - que marcaram os primeiros dias do movimento - reduzidas a protestos esporádicos, um grupo de estudantes secundaristas queimou pneus e provocou distúrbios ontem no centro de Caracas. Eles pretendiam bloquear avenidas para forçar trabalhadores do setor de transporte a aderirem à greve. Ainda ontem, em Madri, um grupo de advogados venezuelanos e espanhóis - representando famílias supostamente prejudicadas pelo regime de Chávez - denunciou o presidente da Venezuela e 25 de seus colaboradores ante a Justiça espanhola por "crimes contra a humanidade e violação de direitos humanos". Em particular, Chávez é responsabilizado pelos distúrbios que antecederam o fracassado golpe contra ele em abril - nos quais morreram 18 pessoas e mais de cem ficaram feridas.

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