Produto é a espinha dorsal de economia de Teerã

O petróleo é a espinha dorsal da economia do Irã e sua exportação responde por 80% das vendas externas do país e metade de sua receita fiscal. As sanções impostas em 2010 pela ONU afetaram a economia da república islâmica, mas foram insuficientes para forçar Teerã a alterar sua determinação de desenvolver o enriquecimento de urânio.

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h05

A expectativa americana é que as sanções adotadas por Washington em 31 de dezembro sufoquem a economia iraniana, na medida em que restrinjam a participação do país no sistema internacional de pagamentos. A legislação proíbe instituições que façam negócios com o Banco Central do Irã (BCI) de realizar operações nos EUA. "As novas sanções podem enfraquecer a posição fiscal e externa do Irã ao longo do tempo, caso as operações com ou em benefício do BCI sejam severamente restringidas", avaliou Amrita Sen, analista do Barclays Capital.

Erica Downs, do Brookings Institution, acredita que o compromisso da China com as sanções será maior quanto maiores forem os interesses econômicos do país nos EUA. "O mercado americano é muito mais importante para os chineses do que o Irã", observou. "Companhias chinesas saíram do Irã para evitar colocar em risco oportunidades de expansão nos EUA e Europa." Pequim apoiou as iniciativas adotadas no âmbito do Conselho de Segurança da ONU, mas vê com reservas as sanções impostas pelos EUA de maneira unilateral.

A mais contundente medida aprovada pelo CS é a Resolução 1.929, de 2010, depois da qual companhias europeias suspenderam investimentos no Irã. O temor de americanos e europeus na época era que a China ocuparia o vácuo deixado por essas empresas e ampliaria seus negócios no Irã. Erica observou que isso não só não ocorreu como os chineses também reduziram o ritmo de seus investimentos na República Islâmica, ainda que mantenham operações importantes no país. Mas apesar do aparente apoio às sanções do CS, os chineses continuaram a vender gasolina aos iranianos, o que violou disposição americana adotada logo depois das sanções de 2010. / C. T.

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