Produtores rurais de Buenos Aires estudam nova greve

Uma nova carga tributária para o setor agropecuário da Província de Buenos Aires pode provocar uma paralisação dos produtores rurais e protestos pelas rodovias e estradas. A Assembleia Legislativa de Buenos Aires aprovou ontem um projeto de lei enviado pelo governador Daniel Scioli, que, entre outras medidas, determina importantes aumentos no imposto de imóveis rurais, e uma alíquota de 6 pesos (R$ 2,84) por tonelada de grãos que são carregados e descarregados nos portos da província. Os aumentos das alíquotas do imposto sobre os imóveis rurais superam 100% em vários distritos.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

24 de setembro de 2009 | 13h04

Esses maiores custos agrícolas provocaram a ira dos produtores desta região, que vão se reunir hoje para decidir o cronograma dos protestos. Na mesa dos líderes rurais será discutida a proposta de uma paralisação a partir desta sexta-feira até a próxima terça-feira. O clima entre os produtores já é ruim há mais de três anos, quando o então governo de Néstor Kirchner (entre maio de 2003 a dezembro de 2007) iniciou um processo de intervenção nos mercados e aumentou as alíquotas e exportação do setor. Cristina Kirchner trava, desde o ano passado, um duro conflito com o setor agropecuário. Agora, o governador de Buenos Aires encontrou uma forma de aliviar o déficit fiscal previsto em US$ 1,3 bilhão em 2009.

O aumento dos impostos aprovado na quarta-feira vai render aos cofres bonaerenses cerca de 2 milhões de pesos anuais (algo em torno de R$ 950 mil). A lei vai enquadrar 1,3 milhão de contribuintes, que terão que pagar mais pelos impostos de imóveis rurais e urbanos e pelo emplacamento de automóveis. Para os produtores rurais, a lei vai pesar ainda mais por causa do novo imposto sobre carga e descarga nos 14 portos da Província de Buenos Aires: 5 do Estado e 9 privados.

Os líderes da Confederação de Associações Rurais de Buenos Aires e La Pampa (Carbap), da Sociedade Rural, Federação Agrária e Confederação Intercooperativa Agropecuária (Coninagro) vão fazer um balanço sobre o impacto das medidas para o setor e decidir a modalidade de protesto que vão realizar. O presidente da Carbap, Pedro Apaolaza, disse que "há muita raiva e indignação por parte dos produtores rurais no interior do país, que já vêm sofrendo com a seca e com as retenções(os impostos sobre as exportações)".

Agora, continuou, "vem essa carga extra, que vai terminar de jogar os produtores no abismo". O diretor da Federação Agrária e deputado provincial eleito pela Unión-Pro, Jorge Solmi, disse que "já desapareceram do mapa 60 mil produtores rurais nos três últimos anos, vítimas das políticas públicas do governo kirchnerista, e agora Scioli segue essa cartilha".

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