Produtos brasileiros viram coqueluche na Inglaterra

O Brasil é moda na Inglaterra e, dessa vez, parece coisa séria. Ao contrário do passado, quando a pauta de exportação da esteriotipada imagem brasileira era alicercada na tróica futebol, carnaval e sensualidade, o portfólio do país se expandiu e aprofundou. Tem Pelé, Ronaldinho e Ronaldo sim, tem samba no pé sim, tem biquíni cavadão sim. Mas tem muito mais pois a atenção dos britânicos migrou para as artes, produtos e, principalmente, pelo jeito brasileiro de ser. Como se comenta por aqui, "the Brazilian vibe" está contagiando a ilha. Não é preciso muito esforço para se constatar esse fenômeno. Ligue numa emissora de televisão privada no horário nobre e não se surpreenda ao ver propagandas consecutivas com alguma coisa relacionada ao Brasil, da trilha sonora ao cenário. O Brasil está ajudando a vender automóveis, produtos para cabelo, móveis e até absorventes femininos. Navegue pelas emissoras FM e ouça os variados estilos da MPB, desde Bebel Gilberto até funk da favela. Perambule pelas principais ruas comerciais da capital e encontrará na vitrines sandálias Havaianas, Melissa, Azaléia e biquínis e outros vestuários ´Made in Brazil´. Entre numa das lojas mais moderninhas da Portobello Road, no badalado bairro Notting Hill, e encontrará camisetas com a bandeira brasileira, que em vez das estrelas, ostentam corações em torno da "Ordem e Progresso". Apesar do precinho britânico, cerca de 220 reais, é uma das mais vendidas. Guaraná, cervejinha Brahma - em breve também a Bavária - ou caipirinha? Fácil de encontrar em qualquer pub da esquina. Música brasileira em algum dos famosos clubs da noite londrina? Diariamente. Um dos esportes alternativos mais popular entre os britânicos? A capoeira. A lista não tem fim. Mas, se agora o país está na moda, em maio o Brasil deve se tornar uma febre entre os britânicos. A loja de departamentos Selfridges, uma das mais sofisticadas e inovadoras do mundo, escolheu o Brasil como seu tema para este ano. Entre os dias 5 e 31 de maio, a sede da magazine, no coração da Oxford Street, apresentará o que, na sua opinião, há de melhor no País. Serão centenas de produtos brasileiros, entre eles roupas de grife, calçados, jóias e alimentos, apresentados de uma maneira inovadora, um trabalho coordenado pela cenografista Bia Lessa. Os cerca de 30 mil visitantes diários da Selfridges poderão conhecer a culinária do país, as artes, e ter uma "viagem virtual" perambulando por uma feira de rua brasileira ou bebericando algo num boteco nacional. Uma réplica do Cristo Redentor, com altura de 14 metros e pesando cerca de duas toneladas, produzida pelo cenografista Abel Gomes, será instalada sobre a marquise da entrada principal da loja, vislumbrando as centenas de milhares de pessoas que passam circulam diariamente pela Oxford Street. A escola de samba Beija-Flor também promete agitar o local, que ocupa um quarteirão da principal rua comercial de Londres. Para aqueles britânicos que decidirem ver o Brasil real, a Embratur terá um estande fornecendo informações turísticas. Exportadores, com o apoio do governo brasileiro, também estarão presentes, atendendo compradores interessados. O diretor de marketing da Selfridges, James Bidwell, disse que a idéia de escolher o Brasil se consolidou há 15 meses durante uma visita dele ao Brasil. "Já vinha notando na Europa, inclusive nos formadores de opinião, um crescente interesse pelo Brasil, e nas várias regiões do Brasil senti que aquela diversidade e energia positiva vão atrair cada vez mais o interesse internacional", disse Bidwell. Segundo ele, a Selfridges está investindo cerca de R$ 8 milhões no projeto. Além disso, algumas empresas estrangeiras também estão co-patrocinando o evento. "Vários fatores explicam a crescente popularidade do Brasil aqui fora, como o cinema, a música, o interesse internacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva", disse Bidwell. "Além disso, diante dos problemas em outras regiões do mundo, como no Oriente Médio, as pessoas estão se concentrando cada vez mais na América do Sul." Para o embaixador do Brasil em Londres, José Maurício Bustani, a popularidade do Brasil na Inglaterra reflete uma recente mudança de percepção em relação ao país. "O Brasil sempre teve uma presença através do futebol e MPB, mas agora os outros atrativos do país, sejam eles culturais, religiosos, artísticos, comerciais, estão sendo cada vez mais valorizados no exterior", disse Bustani. Segundo ele, a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva foi um fator fundamental pelo aumento do interesse no país. "Há um enorme curiosidade com o Lula, ele é um garoto-propaganda do Brasil. As pessoas querem acompanhar a nova proposta do governo no Brasil e estão otimistas com o país." Segundo o embaixador, o evento da Selfridges deverá trazer muitos benefícios a longo prazo. "Londres é hoje a cidade mais cosmopolita do mundo, a economia britânica vai muito bem e a Selfridges é um dos pontos mais sofisticados dessa vitrine global", disse. "Fizemos questão de garantir que a mostra reflita ao máximo a diversidade e riqueza da cultura brasileira." Além da promoção da Selfridges, Londres abrigará em maio a mostra ?Brazil Mayfair?, que contará, entre outras coisas com exibições de filmes, gastronomia e uma exposição das obras de Portinari. "Acreditamos que essa tendência é como uma bola de neve, o interesse pelo Brasil não pára de aumentar. Bustani lembra que o aumento da presença de imigrantes brasileiros na Inglaterra também vem colaborando com o crescente interesse pelo país.

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