Professor é preso por divulgar fotos de drama chinês

Ele postou na internet imagens de escolas destruídas por terremoto

AP, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

A Human Rights da China informou ontem que Liu Shaoqi, um professor que postou na internet fotos de escolas que desmoronaram em conseqüência do terremoto de Sichuan, em maio, foi enviado para um campo de trabalho por um ano. Em um comunicado oficial, o grupo de direitos humanos disse que Liu, professor de uma escola média da cidade Guanghan, na localidade de Deyang, foi detido em 25 de junho sob alegação de "difundir rumores e destruir a ordem social". Na semana passada, a mulher de Liu confirmou que ele foi levado para um campo de trabalhos forçados. O terremoto do dia 12 de maio matou 70 mil pessoas, entre elas 10 mil crianças que morreram quando suas escolas, mal construídas, desmoronaram. A tragédia se transformou em um problema político para o governo, com os pais das crianças mortas realizando protestos e exigindo uma investigação do caso. CONDENAÇÃONas últimas semanas, eles vêm sofrendo intimidações e recebendo dinheiro para ficarem calados. "Em vez de investigar e buscar os responsáveis por esses prédios mal construídos, as autoridades chinesas estão recorrendo a campos de trabalho para silenciar e prender cidadãos como o professor Liu Shaoqi", disse o diretor executivo da Human Rights da China, Sharon Hom. Segundo o grupo, a família de Liu não conseguiu vê-lo desde que ele foi detido. Uma autoridade do Departamento de Propaganda do Partido em Guanghan disse não ter conhecimento do caso. Um funcionário da escola de Guanghan disse que Liu trabalhava lá desde 2002. "Ele foi detido no fim do mes passado por funcionários do Departamento da Segurança Nacional por incitar deliberadamente as famílias das vítimas a peticionarem e difundirem rumores contra o governo", disse o funcionário, que se recusou a fornecer seu nome. "Eles vasculharam a casa dele e encontraram provas," afirmou. O sistema de reeducação pelo trabalho tem sido criticado largamente pelas Nações Unidas, pela União Européia e outras organizações internacionais que insistem o método deve ser abolido em nome de normas internacionais. O sistema, em vigor desde 1957, permite à polícia encarcerar um suspeito de qualquer tipo de crime por até quatro anos. Segundo os críticos, esse método é utilizado de maneira abusiva pelo governo chinês para deter ativistas religiosos ou políticos, violando os direitos dos suspeitos.

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