Professor evitou tragédia maior em escola da Alemanha

Um professor que estava tentando salvar estudantes durante o pior massacre pós-Segunda Guerra Mundial na Alemanha afirmou neste sábado ter confrontado o atacante em um dos corredores do local, o que pode ter evitado uma tragédia ainda maior.Rainer Heise, que leciona História na escola Johann Gutenberg na cidade de Erfurt, onde ocorreu a matança, contou que o atacante Robert Steinhaeuser, de 19 anos, retirou sua máscara (de ninja) quando se deparou com ele. "Eu disse: ´Aperte o gatilho. Se você atirar em mim agora, então olhe nos meus olhos´", afirmou Heise ao canal de televisão ZDF. "Então, ele olhou para mim, abaixou a pistola e disse: ´Já é o suficiente para hoje, senhor Heise´".O professou disse que depois deste diálogo empurrou o estudante para dentro de uma sala de aula, trancou a porta, pegou a chave e correu para a diretoria da escola. O estudante ficou trancafiado até a chegada da polícia, que não conseguiu convencê-lo a se entregar.Antes disso, em poucos minutos, Steinhaeuser havia feito 40 disparos de pistola, matando 13 professores, dois alunos e um policial. Grande parte das vítimas morreu executada com um certeiro tiro na testa, algo próprio de um atirador profissional.Steinhaeuser era filiado à duas escolas de tiro e tinha licença para usar ? dentro desses clubes ? pistolas e armas de grosso calibre. Uma dessas escolas, a Domblick Schiessverein, treinou durante anos policiais da ex-Alemanha Oriental e ainda os recebe.A polícia ainda verificava hoje informações de que Steinhaeuser teria enviado, pouco antes da tragédia, uma mensagem de texto através do telefone celular a um de seus companheiros de classe, recomendando-lhe a não ir para o colégio.A cidade de Erfurt (ex-Alemanha Oriental), de 200 mil habitantes, tornou-se centro das atenções no país e no exterior. Equipes de tevê do mundo todo, da Grã-Bretanha à Coréia do Sul, passando pela Finlândia, estão na cidade.O dia também foi de visitas. Personalidades e políticos, como o chanceler Gerhard Schroeder, foram a Erfurt rezar pelas vítimas.

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