Professor palestino nega ligações com o terror

Um professor palestino negou hoje qualquer vínculo com terroristas e disse que a intenção da Universidade do Sul da Flórida (USF) de demiti-lo é fruto das atitudes americanas após o 11 de setembro. A universidade entrou na quarta-feira com uma ação judicial que inclui a carta de demissão que autoridades da instituição enviarão ao professor de ciência da computação Sami Al-Arian, caso o tribunal julgue que seu afastamento não violará direitos constitucionais. "Sou um árabe, um palestino e um muçulmano. Não é algo popular de se ser nesses dias", afirmou Al-Arian numa entrevista coletiva no escritório de seu advogado. "Tenho direitos ou não tenho direitos?" "No atual momento, parece que a maioria das pessoas pensa que ´não, você não tem direitos porque você não concorda conosco´. Não acho que isto é certo". Al-Arian, tendo a seu lado sua mulher Nahla e três de seus cinco filhos, também anunciou que seu cunhado, Mazen Al-Najjar, havia sido deportado na manhã de hoje para o Oriente Médio. Ele não especificou para qual país. O advogado de Al-Najjar, Joe Hohenstein, confirmou que seu cliente havia deixado os Estados Unidos. Al-Arian e Al-Najjar fundaram a Empresa de Estudos Mundiais e Islâmicos (sigla em inglês, WISE), um grupo de estudo, hoje fechado, que foi vasculhado pelo FBI em 1995. Ramadan Abdulah Shallah, antigo diretor da WISE, deixou o grupo em 1995 e mais tarde reemergiu como líder de uma organização terrorista, a Jihad Islâmica Palestina. Al-Arian insiste que sua organização nunca apoiou a Jihad Islâmica, e que lamenta que alguém ligado à WISE tenha vindo a liderá-la. Ele foi colocado em licença remunerada por dois anos depois do incidente, e foi reincorporado em 1998. Al-Najjar, que tem doutorado em engenharia e ensinou língua árabe na USF, passou mais de três anos na prisão devido a evidências secretas vinculando-o a terroristas. Ele foi libertado em 2000 mas foi novamente detido em novembro, e mantido sob custódia até sua deportação. "Toda a situação é muito desumana", disse Nahla Al-Arian sobre as circunstâncias envolvendo seu marido e seu irmão. "Sinto ter sido traída pelo sistema". O advogado de Al-Arian, Robert McKee, disse que vai tentar transferir o caso de uma corte estadual para uma federal. Al-Arian está em licença remunerada desde que apareceu na Fox News logo depois dos atentados de 11 de setembro e de ter sido pressionado sobre ligações com conhecidos terroristas, e questionado sobre gravações do final da década de 80 e início da de 90 em que ele aparentemente diz em árabe: "Morte a Israel". Esses comentários foram anexados à carta de demissão, junto com alegações de que Al-Arian usou o nome da universidade para realizar uma conferência em 1991 onde "foi levantado dinheiro para causas posteriormente associadas a atividades terroristas". Al-Arian disse que nunca defendeu a violência e que suas palavras passadas eram uma declaração contra a ocupação israelense. Durante a busca nos escritórios da WISE e na casa de Al-Arian em 1995, agentes federais encontraram uma carta que ele escreveu a um kuwaitiano em fevereiro de 1995, 10 dias depois que um atacante suicida a bomba da Jihad Islâmica matou 18 israelenses. A ação movida pela universidade cita a carta na qual Al-Arian teria prometido "apoio à jihad (guerra santa) na Palestina para que operações como esta (atentados) possam continuar". Al-Arian afirmou que tal carta nunca foi enviada e que ele não apóia a matança de civis. Ele negou também ter levantado fundos para organizações terroristas ou ter se associado a terroristas. O governador da Flórida, Jeb Bush, disse concordar com o afastamento de Al-Arian e que a universidade tomou a decisão correta ao abrir um processo. "O cara tem ligações com pessoas que querem minar os Estados Unidos da América", disse Bush, que é irmão do presidente americano. "A base original para a demissão dele foi questão de segurança e eu não acho que isso tenha mudado".

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