Professor que esteve com ex-espião russo é preso na Itália

O professor italiano Mario Scaramella, que se reuniu com o ex-espião russo Alexander Litvinenko no dia 1 de novembro, quando este começou a sentir os sintomas do envenenado por polônio-210, foi detido neste domingo ao chegar a Nápoles (oeste da Itália) em um avião procedente de Londres, informou a agência Ansa. Litvinenko morreu dia 23 de novembro, gerando grandes especulações sobre sua morte e investigações na Inglaterra, Alemanha e Rússia.Scaramella, detido pela Polícia Antiterrorista (Digos), é investigado pela Procuradoria de Roma por tráfico de armas, revelação de informação privilegiada e calúnia agravada, este último delito por ter atribuído a um cidadão russo a organização de atentados na Itália.A detenção de Scaramella aconteceu no aeroporto napolitano de Capodichino, ao qual chegou procedente de Londres, onde estava internado em um hospital após ter sido encontrado em seu corpo traços de polônio-210. Ele recebeu alta no último dia 6.A polícia de Nápoles não esclareceu a prisão de Scaramella, e seu advogado não se pronunciou sobre a detenção. O mesmo aconteceu com a polícia britânica, que não quis falar sobre o assunto. Scaramella será transferido a uma prisão de Roma, cidade onde a investigação foi aberta, acrescentou a mesma fonte. Juiz honorário do Tribunal de Nápoles, Scaramella foi assessor da já encerrada comissão parlamentar Mitrokin, que investigou a suposta rede de colaboradores do KGB russo na Itália.Em seu leito de morte, em um hospital de Londres, Litvinenko, forte crítico ao governo de Vladimir Putin, atribuiu seu envenenamento ao presidente russo. Contudo, autoridades russas negam a acusação.Scaramella permaneceu hospitalizado por vários dias em Londres e afirmou que os médicos disseram a ele que tinha recebido cinco oportunidades uma dose letal de polonio-210, mesmo que não tenha tido sintomas de envenenamento. Ele acabou deixando o hospital alguns dias depois de ter sido internado. No mesmo dia que Litvinenko esteve com Scaramella, o ex-espião russo encontrou-se com Andrei Lugovoi, outro ex-agente soviétivo; Dmitry Kovtun, empresário russo; e Vyacheslav Sokolenko, dono de uma empresa de segurança privada russo, em um bar do Hotel Millennium de Londres. Os três homens negaram ter algum tipo de envolvimento na morte de Litvinenko. Esta matéria foi alterada às 14h17 para acréscimo de informações.

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