Charles Platiau/Reuters
Charles Platiau/Reuters

Professor que mostrou caricaturas de Maomé é decapitado na França

Suposto agressor foi morto pela polícia após gritar 'Alá é grande'; incidente aconteceu na cidade de Conflans Saint-Honorine, a cerca de 50 km de Paris

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2020 | 15h54
Atualizado 18 de outubro de 2020 | 23h25

PARIS - Um professor de história foi decapitado nesta sexta-feira, 16, perto de Paris e o suspeito do crime foi morto pela polícia, informou a Procuradoria Nacional Antiterrorista, que investiga o caso. A vítima utilizou caricaturas de Maomé em uma aula sobre liberdade de expressão há 10 dias, segundo uma fonte policial. De acordo com outro informante, o assassino gritou “Alá é grande” antes de ser morto pela polícia. 

Nove pessoas foram detidas, dentre elas dois pais de alunos do College du Bois d'Aulne, escola em que o professor trabalhava. Quatro parentes do principal suspeito pelo ataque também estão sob custódia. 

O ataque aconteceu por volta das 17 horas (horário local, 14 horas de Brasília), perto de uma escola, em Conflans Saint-Honorine, uma cidade de 35 mil habitantes a cerca de 50 km ao noroeste de Paris. A polícia local foi chamada por pessoas que disseram que o acusado do crime estava nas redondezas. 

Os policiais encontraram a vítima decapitada a 200 metros da escola. Quando o suspeito foi avistado, houve uma tentativa de prisão, mas o homem, ainda não identificado, foi para cima dos policiais com uma faca e gritando “Alá é grande”, um manifestação associada a terroristas que dizem professar o islã.

Após ser atingido, a polícia cercou o local e o esquadrão antibomba foi chamado, pois havia a suspeita de que o homem morto estava com um colete explosivo. O homem ainda carregava uma arma de pressão, usada em competições de paintball. 

A Procuradoria Nacional Antiterrorista instaurou uma investigação por “assassinato em conexão com uma empreitada terrorista” e “associação criminosa terrorista”.  

Ao visitar Conflans Saint-Honorine nesta sexta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o professor decapitado foi vítima de um “ataque terrorista islâmico”. Macron, que falou brevemente perto do local do ataque, disse que “toda a nação” está pronta para defender os professores. “Eles não vão passar, o obscurantismo e a violência que os acompanham não vão vencer”, disse, após um encontro com colegas do professor morto na escola Bois d'Aulne.

“Um dos nossos compatriotas foi assassinado hoje porque ensinou a liberdade de expressão, a liberdade de acreditar ou não acreditar”, disse Macron. Ele disse que o ataque não deve dividir a França “porque é isso que os extremistas querem”. “Devemos estar todos juntos como cidadãos”, disse.

De acordo com a polícia, um pai de um aluno apresentou uma queixa contra o professor após a aula que expôs as caricaturas, mas o acusado do crime não tem filhos ou outros parentes matriculados na escola. A imprensa francesa informou que o suspeito era um checheno de 18 anos, nascido em Moscou. 

De acordo com a polícia, quatro parentes do assassino foram detidos. Os investigadores tentam estabelecer se foi o terrorista quem postou no Twitter a foto da cabeça da vítima com uma mensagem direcionada ao presidente francês, o chamado de “dirigente dos infiéis” e prometendo vingança contra aqueles que “ousaram rebaixar Maomé”. 

O crime ocorreu três semanas após um ataque em Paris em frente aos antigos escritórios do semanário Charlie Hebdo, que publicou caricaturas de Maomé e foi alvo de jihadistas em 2015. Ao saber do crime, o ministro do Interior, Gérald Darmanin, que estava no Marrocos, decidiu voltar a Paris.

Terrorismo

Esse foi o segundo incidente relacionado ao terrorismo desde o início do julgamento do massacre da redação da revista satírica Charlie Hebdo, que foi atacada a tiros por extremistas islâmicos, em 2015, após publicar caricaturas de Maomé.

Quando o julgamento começou, há três semanas, o jornal republicou as caricaturas e um jovem paquistanês foi preso após esfaquear duas pessoas em frente ao antigo escritório da revista – duas pessoas que sofreram ferimentos, mas sem risco de morrer. Ambas não tinham ligação com a publicação. No ataque de 2015, 12 pessoas morreram. / AFP e AP 

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