Professora britânica é julgada por blasfêmia no Sudão

Gillian Gibbons é acusada de insulto religioso por permitir que alunos nomeassem brinquedo como Maomé

Agências internacionais,

29 de novembro de 2007 | 11h24

A professora britânica acusada no Sudão de blasfêmia religiosa, incitação de ódio e desrespeito por crenças religiosas foi apresentada ao tribunal do país nesta quinta-feira, 29. Apenas os representantes legais puderam acompanhar o julgamento de Gillian Gibbons, de 54 anos.   Gillian foi presa depois que os pais de seus alunos a denunciaram. Segundo professores da escola, a professora havia pedido aos seus alunos que escolhessem seu nome favorito para o urso, e 20 dos 23 alunos votaram por "Maomé". Para os seguidores desta religião, qualquer representação do profeta Maomé é uma blasfêmia.   Gillian chegou ao prédio acompanhada de 20 oficiais que a levaram para uma sala antes do julgamento - numa cena descrita como "caótica" pela repórter da BBC Amber Henshaw. Representantes da Embaixada britânica e sua defesa inicialmente foram proibidos de acompanhá-la no tribunal, porém foram liberados posteriormente.   A professora foi detida no domingo na capital do país, Cartum, e se for considerada culpada, pode receber a pena de 40 chibatadas, multa ou um ano de prisão.   O Ministério de Relações Exteriores afirmou que espera que o bom senso prevaleça no caso. Na quarta-feira, o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, David Miliband, convocou com urgência o embaixador sudanês em Londres para que ele dê explicações sobre a abertura do processo.   Miliband afirmou antes do julgamento que espera que a situação seja resolvida e que o Reino Unido acredita que se trata de um mal-entendido. Ele ainda deve perguntar ao diplomata sudanês "qual é a razão por trás do indiciamento e quais serão os próximos passos" na disputa.   O diretor da escola, Robert Boulos, afirmou que a professora não queria insultar o Islã e só seguia o programa educativo britânico destinado a ensinar aos menores o mundo animal e o tema deste ano era o urso, segundo a imprensa britânica.

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