Mohammad Sajjad/AP
Mohammad Sajjad/AP

Professoras paquistanesas se armam após o massacre de Peshawar

Ministro da Educação da Província de Jyber Paktunkhawa diz que seu gabinete apoia a medida e a vê como "lógica" devido à realidade da região; em dezembro, um ataque do Taleban matou 150

O Estado de S. Paulo

02 de fevereiro de 2015 | 19h45


PESHAWAR, PAQUISTÃO - Quando insurgentes talebans do Paquistão invadiram uma escola de Peshawar e massacraram 150 meninos e professores, ninguém pode enfrentá-los. A professora Shabnam Tabinda e alguns de seus colegas querem mudar isso. Eles começaram a praticar tiro e estão se armando contra terroristas. 

Autoridades do governo na fronteira noroeste do Paquistão deram permissão aos professores para portar armas de fogo em resposta ao ataque do dia 16 de dezembro em Peshawar - um dos ataques terroristas mais letais da história do país.

Muitos educadores recusam a ideia de armar os professores e acham a proposta imprudente e contraproducente, refletindo o mesmo tipo de argumento que surge nas discussões do sistema educacional americano após os ocasionais tiroteios. 

Mas para professores como Tabinda, de 37 anos, ir para o trabalho desarmada não é mais uma opção. Ela e outras dez professoras do instituto feminino Fronteira estão orgulhosas de descobrirem a pontaria com as pistolas. Elas pretendem levar as armas para ajudar a proteger as estudantes do instituto, que têm entre 16 e 21 anos. 

Questionada se se sentia com confiança para matar um terrorista em sua escola, Tabinda foi firme em sua resposta: "Sim. Quem quer que mate a um inocente, se Deus quiser, eu vou disparar".   

Mushtuq Ghani, ministro da Educação do governo da Província de Jyber Paktunkhawa, cuja capital é Peshawar, disse que seu gabinete apoia a medida e a vê como "lógica" devido à realidade da região. Segundo ele, a força policial de 65 mil agentes é insuficiente para defender as quase 50 mil escolas existentes. 

Ele explicou que os terroristas devem saber que os centros estão protegidos e os professores armados poderiam frear os assaltantes ganhando tempo até a chegada de reforços policiais. Os professores teriam de portar suas próprias armas de fogo com permissão legal, o que muitos já têm para defender suas casas. / AP  

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.