Professores anunciam greve geral na Argentina

Os professores argentinos das escolas públicas anunciaram que a partir da próxima segunda-feira, 9, entrarão em greve nacional. O motivo da paralisação é a exigência de aumentos salariais e a repressão policial aplicada aos docentes que deixou um professor em estado de coma na província de Neuquén. A crise dos salários espalhou-se ao longo da semana por todo o país. Nesta quinta-feira à tarde centenas de professores furiosos cercaram o palácio do governo de Neuquén. O governador Jorge Sobisch, candidato presidencial, esteve cercado durante horas sem poder sair do palácio por temor a um apedrejamento. Nos últimos dias também foram registrados incidentes nas províncias de Santa Cruz, La Rioja e Salta.Embora os professores públicos não dependam desde os anos 90 da União, mas sim dos governos provinciais, o conflito também afeta a imagem do governo do presidente Néstor Kirchner. Na segunda-feira, Kirchner ausentou-se das cerimônias oficiais de comemoração dos 25 anos da invasão argentinas às ilhas Malvinas, que estava sendo realizada na cidade de Ushuaia, no sul do país, para evitar uma manifestação de professores públicos que prometiam vaiá-lo.A crise, que já vinha em escalada desde as últimas semanas, explodiu na última quarta-feira à tarde, quando a polícia reprimiu com ferocidade um grupo de 700 professores da província de Neuquén que realizavam um piquete em um dos acessos da capital provincial, também chamada Neuquén.Para eliminar o piquete, centenas de policiais começaram a disparar balas de borracha e gás lacrimogênio. No meio da confusão, o professor primário de química Carlos Fuentalba foi atingido por uma granada de gás lacrimogênio na cabeça. A granada foi disparada a um metro e meio de distância, provocando-lhe um afundamento do crânio. Fuentalba está em coma. Os médicos indicam que suas chances de sobrevivência são baixas. Mas, afirmam que mesmo que sobreviva, o cérebro está irreversivelmente afetado.O governador de Neuquén, Jorge Sobisch, tentou minimizar o caso, explicando que o disparo havia sido um "erro" do policial, e que provavelmente a granada havia sido ejetada porque o integrante das forças de segurança "foi empurrado ou possivelmente tropeçou". Minutos depois, os professores, furiosos, rodearam o palácio do governo de Neuquén em pleno centro da capital provincial aos gritos de "assassinos!" e "nosso colega foi fuzilado!". Os professores exigem a renúncia do governador, que é um dos candidatos da centro-direita às eleições presidenciais de outubro deste ano. Sobisch declarou que não pretende demitir os integrantes de seu gabinete envolvidos no caso nem sequer renunciar ao cargo de governador. Simultaneamente, cinqüenta pessoas encapuzadas, integrantes do grupo de extrema esquerda nacionalista "Quebracho" atacaram e depredaram o escritório de campanha de Sobisch em pleno centro portenho.

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