Professores culpam Chávez por choque armado

Para associação universitária, governo tem permitido a livre ação das milícias chavistas contra os opositores

Caracas, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

Estudantes e professores universitários venezuelanos acusaram ontem o governo de Hugo Chávez de ter armado o grupo que, na véspera, invadiu a Universidade Central da Venezuela (UCV) e atirou contra ativistas que voltavam de uma marcha de protesto contra a reforma constitucional proposta pelo presidente.O presidente da Associação de Professores da UCV, Víctor Márquez, rejeitou as acusações do ministro do Interior, Pedro Carreño, que atribuiu ao estudantes anti-Chávez e à imprensa a tensão que causou o confronto. Pelo menos oito estudantes ficaram feridos nos choques - dois deles, baleados."Carreño mente. Eles sabem exatamente de onde provém a violência", disse Márquez, afirmando que o governo fez vista grossa à ação de três milícias chavistas - os grupos Colectivo Alex Vive, Los Carapaicas e Los Tupamaros. "Esses são os responsáveis, os grupos paramilitares pró-governo."Os líderes estudantis da UCV que convocaram o protesto reuniram 14 fitas de vídeo e 126 fotos para que fossem entregues à procuradoria, entidade que investiga os confrontos.Em Washington, o governo dos EUA, por meio do porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, também responsabilizou indiretamente Chávez pelos atos de violência. "É espantoso", disse o porta-voz McCormack."Essas pessoas estavam apenas protestando de forma pacífica. Não podemos dizer exatamente quem foi o responsável por isso, mas é uma boa indicação de como anda o atual clima político na Venezuela", prosseguiu.Em razão da turbulência política, autoridades do governo colombiano chegaram a informar ontem que o presidente venezuelano não viajaria para Santiago, onde se realiza a 17ª Cúpula Ibero-Americana. Mas, à tarde, Caracas confirmou a presença de Chávez na reunião, apesar dos protestos da direita chilena.PERSONA NON GRATAEm Santiago, grupos simpatizantes e opositores de Chávez enfrentaram-se na frente da Embaixada da Venezuela em Santiago. Em meio à confusão, o deputado direitista chileno Ivan Moreira tentou entregar na embaixada uma carta declarando Chávez persona non grata no país. Cerca de 50 pessoas participaram da manifestação - atenuada pelo governo da presidente Michelle Bachelet que disse considerar atos de protesto "próprios de uma democracia".CHÁVEZ ?SEXY?Uma pesquisa encomendada pela maior central patronal do país, a Fedecámaras - sobre hábitos de consumo dos venezuelanos -, indicou ontem que Chávez é considerado "um dos homens mais sexies" da Venezuela. O presidente aparece em quinto lugar, ao lado de astros da TV local. Em termos políticos, porém, a situação de Chávez não é tão favorável. Segundo uma sondagem do instituto Datanálisis, o presidente tem um índice de aprovação de 63%, mas apenas 34% disseram que votariam "sim" na consulta popular sobre a reforma constitucional do dia 2.AFP, EFE E REUTERS

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