Miguel Gutierrez/Efe
Miguel Gutierrez/Efe

Professores universitários decretam greve na Venezuela

Apoiados por estudantes, docentes da UCV protestam contra baixos salários e reajuste anunciado por Maduro

O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2015 | 17h14

 CARACAS- Os professores da Universidade Central da Venezuela (UCV), uma das mais importantes do país, decretaram ontem greve de 24 horas para protestar contra a remuneração paga pelo governo do presidente Nicolás Maduro, que no fim de semana reajustou o salário mínimo em 20%. A inflação, estimada pelo FMI para 96,8% em 2015, e o desequilíbrio entre as quatro bandas cambiais adotadas no país têm corroído os vencimentos da categoria. 

“Nossa greve é de 24 horas. Parem de ter medo. O que queremos é que se saiba que ganhamos menos que o salário mínimo”, escreveu a Associação de Professores da UCV em sua conta no Twitter. “A Venezuela é o único país do mundo onde um professor ganha menos de um salário mínimo”, disse o presidente da associação, Jesús Villareal, ao diário El Universal. “A luta é também para aumentar o orçamento da universidade, de modo a permitir uma educação de qualidade.”

Pelo câmbio oficial de 6.30 bolívares por dólar adotado pelo governo na compra de remédios, alimentos e bens de primeira necessidade, o salário mínimo foi corrigido para US$ 1178 ( 7421 bolívares). 


O problema é que a parte da economia que não tem os preços regulados pelo governo, como o setor de vestuário, por exemplo, reajusta os preços com base no câmbio Simadi, com o qual o governo vende dólares às pessoas físicas por uma taxa de quase 200 bolívares. Os professores usam essa banda para argumentar que seu salário equivale, na prática, a US$ 70 dólares. “Na américa latina, a média de um salário de um professor universitário é de US$ 5 mil”, criticou a associação.

A maioria dos bens básicos na Venezuela tem o preço tabelado e subsidiado, mas a escassez provocada pela ineficiência na distribuição das cadeias públicas, contrabando e falta de dólares para importação na iniciativa privada dificulta o acesso a comida e remédios. 

Outras universidades, como a dos Andes e a de Carabobo, têm assembleias marcadas para os próximos dias para determinar se aderem à greve. 

Os grêmios estudantis da UCV acusaram o governo de empurrar as universidades venezuelanas rumo à incapacidade técnica em razão da asfixia econômica. “Programas de pós-graduação fechados, falta de material para os laboratórios, problemas estruturais nas salas de aula e carência de professores são parte do nosso cotidiano”, afirmou em comunicado a Federação de Centros Acadêmicos da UCV. “A UCV já perdeu mais de 600 professores em razão do salário de fome pago aos acadêmicos. Um pedreiro ganha mais que um professor na Venezuela.” Os estudantes ainda acusaram Maduro de deliberadamente cortar as verbas das universidades por motivos políticos./ EFE

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