"Profundamente amargurado", João Paulo II pede a paz

O papa João Paulo II invocou hoje "o precioso dom da concórdia e da paz para toda a humanidade", perante mais de 10.000 fiéis reunidos na Praça de São Pedro, para a audiência geral das quartas-feiras. Segundo relatou seu enviado a Washington, o cardeal Pio Laghi, João Paulo II ficou "profundamente amargurado" após o último discurso do presidente George W. Bush, onde os EUA apresentam um ultimato ao Iraque.O pontífice mencionou São José, "homem de paz" e patrono universal da Igreja, cuja festa se celebra hoje, e convidou os peregrinos a rezarem para "pedir a paz para a humanidade inteira, e especialmente para os povos ameaçados nestas horas pela guerra". O papa, ao saudar um grupo de católicos que levava o círio da liberdade beneditina da paz, que viaja de New Norcia, na Austrália, até a região italiana da Umbria, expressou o desejo de que também esta iniciativa "contribua para reavivar nos ânimos um anseio decidido de concórdia e reconciliação".O cardeal Pio Laghi, que se reuniu com o presidente Bush nos EUA como parte dos esforços do pontífice para evitar a guerra contra o Iraque, declarou que em Washington se deparou "com uma parede, uma muralha". Falando de Roma para uma rádio de Córdoba, na Argentina, o cardeal disse que após o discurso de Bush dando por concluída a via diplomática, tanto João Paulo como os demais dignitários da Santa Sé "ficamos profundamente amargurados". Ontem o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, disse que os EUA e seus aliados assumiram "uma grave responsabilidade perante Deus, sua consciência e a história" ao decidirem ir à guerra sem o aval da ONU. O noticiário até 18/3/2003Veja o especial :

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