Programa antiterrorismo dos EUA espiona contas bancárias

Com base em um programa secreto do governo americano iniciado semanas após os ataques de 11 de Setembro, funcionários antiterrorismo da administração Bush tiveram acesso a históricos financeiros de um vasto banco de dados internacional e examinaram transações bancárias de milhares de norte-americanos e outros moradores dos Estados Unidos. O objetivo do programa é minar o suporte financeiro ao terrorismo.A informação veio a público em uma extensa reportagem publicada na noite desta quinta-feira no site do jornal The New York Times. Segundo o texto, cerca de 20 funcionários do governo e executivos do sistema financeiro foram ouvidos na produção do artigo.O programa se limita a rastrear transações de pessoas suspeitas de ligação com a Al-Qaeda, disseram as fontes. Para isso, ele utiliza os registros fornecidos pelo centro nervoso do sistema bancário global, uma cooperativa belga chamada "Swift". O grupo, conhecido também como Sociedade Mundial de Telecomunicações Financeiras e Interbancárias, é responsável pelo mapeamento diário de cerca de US$ 6 trilhões em transações entre bancos, corretores, bolsas de valores e outras instituições. A maioria dos registros envolvem transferências via internet e outros métodos de movimentação de dinheiro além-mar ou para dentro e para fora dos EUA. A maioria das transações financeiras rotineiras delimitadas aos Estados Unidos não estão no banco de dados. Considerado pelo governo Bush como uma ferramenta vital, o programa ajudou na captura de alguns dos mais procurados terroristas da Al-Qaeda do sudeste asiático. Segundo o subsecretário do departamento do Tesouro americano Stuart Levey - um dos responsáveis pela supervisão do programa - o monitoramento das transações financeiras "tem provido uma singular e poderosa janela dentro das operações das redes terroristas e é, sem sombra de dúvida, legal e apropriado para o uso das autoridades".Segundo o NYT, o programa é uma variação de práticas típicas de como o governo adquire os registros financeiros dos cidadãos americanos. Neste caso no entanto, ao invés de rastrear transações específicas através de liminares judiciais, o governo utiliza autorizações administrativas para interceptar milhares de registros fornecidos pela Swift.PreocupaçõesAinda de acordo com o artigo do NYT, o acesso a uma quantidade tão grande de informações confidenciais é altamente inusual, e já gerou preocupação entre as autoridades em relação a possíveis infrações legais e de privacidade. "Depois do 11 de Setembro, o governo americano tomou todas as medidas legais necessárias para prevenir outro ataque ao nosso país", disse uma representante da secretaria de imprensa da Casa Branca. "Uma das nossas ferramentas mais importantes na luta contra o terror é essa habilidade de minar o suporte financeiro aos terroristas."Apesar de executado pela CIA e supervisionado pelo departamento do Tesouro, para algumas das fontes ouvidas pelo NTY, o programa é preocupante. Isso porque o que era para ser uma medida urgente e temporária, transformou-se em algo permanente durante os últimos cinco anos, sem aprovação do Congresso.Embora seja voltado para as operações realizadas em solo estrangeiro, é cada vez maior o interesse das autoridades nas transferências internacionais realizadas por indivíduos, empresas, associações de caridade e outras organizações suspeitas nos Estados Unidos.

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