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Programa com 'confissão' de iraniana foi manipulado, diz advogado

Segundo defensor,Sakineh Ashtiani foi coagida a fazer as declarações pelo governo iraniano

BBC Brasil, BBC

12 de agosto de 2010 | 18h51

Um dos advogados da iraniana condenada à morte por adultério disse nesta quinta-feira, 12, à BBC que o programa da TV iraniana no qual ela teria confessado o assassinato do marido foi manipulado pelas autoridades de Teerã.

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especialESPECIAL - Caso Sakineh Ashtiani

"Em minha opinião o programa é produzido pelo aparato de segurança do governo, em especial o Ministério da Informação", disse Mohammad Mostafaie ao apresentador Stephen Sackur no programa Hard Talk, do canal de TV BBC World.

Mostafaie, um dos defensores de Sakineh Mohammadi Ashtiani, fugiu do Irã neste mês após o governo de Teerã ter emitido uma ordem de prisão contra ele e detido sua esposa.

"Eles transmitem em sua maioria mentiras e desinformação. Eu sei que ela (Sakineh) falou estas coisas porque foi ameaçada", disse o advogado, que está na Noruega.

Defesa

Durante a transmissão da quarta-feira, Sakineh diz ter conspirado para matar o marido e acusa Mostafaie de interferir indevidamente em seu caso.

O advogado rebateu as críticas de sua cliente dizendo que "as declarações feitas contra mim não são corretas".

"Nunca cobrei para defender os direitos humanos de meus clientes. Trabalho com honestidade, discutindo cada ponto com eles", disse.

Mostafaie afirmou ainda que ocorreram erros no processo de julgamento de sua cliente.

"Ela nunca admitiu adultério, mas sim disse ter tido um relacionamento. Um relacionamento não é punível com apedrejamento", disse.

Outro dos advogados de Sakineh disse em entrevista ao jornal britânico The Guardian que ela foi torturada por dois dias na prisão para forçá-la a confessar para as câmaras de TV.

Ativistas para a defesa dos direitos humanos agora temem que ela possa estar sob perigo de uma execução iminente.

A condenação por apedrejamento gerou comoção internacional com o governo brasileiro oferencendo asilo para Sakineh, oferta negada por Teerã, que classificou o presidente Lula de "emotivo" e pouco informado sobre o caso.    

 

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