Programa culinário derruba premiê da Tailândia

Para corte, aparição paga em TV viola Constituição do país; partido promete reapresentar candidatura

Agências internacionais,

09 de setembro de 2008 | 08h53

A Corte Constitucional da Tailândia decidiu nesta terça-feira, 9, que o primeiro-ministro, Samak Sundaravej, e todo o seu gabinete devem renunciar por conta de aparições do premiê em um programa de culinária na TV. Porém, os governistas do Partido do Poder do Povo (PPP) decidiu reapresentar Sundaravej para o cargo de primeiro-ministro da Tailândia unindo forças em apoio ao político.   Sundaravej, 73, que enfrenta protestos e oposição dentro do Exército, é um declarado amante da culinária e apresenta há oito anos um programa gastronômico pelo qual recebe um módico pagamento. Entre outras atrações, passeia por mercados tradicionais tailandeses. De acordo com a Constituição aprovada no ano passado, funcionários do governo não podem manter interesse comercial enquanto estiverem no serviço público.   O porta-voz do PPP, Kudeb Saikrachang, disse aos jornalistas, em Bangcoc, que, dado que a sentença da alta magistratura não implica em uma desqualificação a seu trabalho como primeiro-ministro, vão propor a reeleição de Sundaravej. Não está claro quando haverá a votação no Legislativo sobre o próximo governo, mas um deputado antecipou que poderia ocorrer na sexta-feira. O governante alegou durante sua defesa que não estava contratado pelo canal de televisão e que só recebia pelas despesas do transporte e dos ingredientes, por isso não existia nenhum tipo de incompatibilidade.   Segundo a BBC, um vácuo legal pode permitir que o partido do premiê, o maior do Parlamento, simplesmente volte a reelegê-lo no futuro, dando continuidade à atual crise política no país. A decisão da Corte ocorre em um contexto de turbulência política que se acentuou nas últimas duas semanas, quando manifestantes começaram a ocupar prédios do governo em Bangcoc.   O ministro do Exterior renunciou e o Exército se recusou a garantir um estado de emergência decretado após a morte de uma pessoa em choques entre manifestantes, liderados pela Aliança do Povo para a Democracia (PAD), e a polícia. O PAD, que reúne monarquistas, empresários e a classe média urbana, foi formado meses antes da deposição do ex-premiê Thaksin Shinawatra em um golpe militar em 2006.   Partidários da legenda dizem que o atual primeiro-ministro é uma marionete dos interesses de Thaksin, que fugiu do país para evitar um processo por corrupção. O rei Bhumibol, muito reverenciado no país, vem se recusando a intervir na crise.

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