Programa de armas deve ser levado a sério pelo Ocidente

Cenário: Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h02

O míssil norte-coreano KN-08 é mesmo uma maquete. E é muito ruim, tosca como um modelo feito para ser exposto em feira estudantil de ciências. No desfile do dia 15, uma das imensas carretas chinesas de 32 rodas exibia uma arma cuja ogiva estava torta, desencaixada do foguete lançador. Todavia, o KN-08 oferece sério risco - o de não ser levado a sério e fazer crer que esse seja o padrão da força de mísseis de Pyongyang. O país gasta, em números conservadores, cerca de 40% de seu pobre PIB, estimado em US$ 40 bilhões, com uma enorme estrutura militar. Em consequência, crianças morrem de fome e os hospitais locais não têm medicamentos. Os mísseis, que consumiram grande parte desses recursos, funcionam. O que anda mal é o programa específico da versão de alcance intercontinental, o ICBM, com o qual o marechal Ri Yong-ho quer atingir o território americano. As outras configurações, de abrangência menor, voam bem, atingem alvos e são vendidas para diversos clientes internacionais. O arsenal acumula cerca de 1.000 mísseis estocados, 200 deles dos tipos Nodong e Taepodong, com raio de ação de 1,2 mil a 3,5 mil quilômetros.

Mais preocupantes são as forças convencionais, 1,6 milhão de combatentes - homens e mulheres. As reservas especiais, prontas para ação 72 horas após a mobilização somam 4,7 milhões. A Coreia do Norte faz dinheiro com a própria indústria militar. Ao longo dos anos 80 e 90, vendeu 400 mísseis, capazes de atingir alvos entre 75 e 450 quilômetros, para Iraque, Irã, Síria, Líbia, Paquistão, Sudão, Iêmen e Egito. Faturou com isso de US$ 650 milhões a US$ 1 bilhão.

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