Programa de armas do Iraque está ativo, diz desertor

Um dissidente do Iraque, que descreveu a si mesmo como engenheiro civil, disse ter trabalhado na reforma de instalações secretas de armas biológicas, químicas e nucleares em um poços subterrâneos, vilas privadas e debaixo do Hospital Saddam Hussein, em Bagdá, ainda no ano passado. A informação foi publicada hoje pelo jornal The New York Times.Segundo a reportagem, em uma entrevista na semana passada em Bangcoc, o dissidente Adnan Ihsan Saeed al-Haideri deu detalhes dos projetos nos quais trabalhou para o presidente Saddam Hussein.De acordo com o Times, especialistas do governo disseram, na quarta-feira, que ele também foi entrevistado duas vezes por altos funcionários do serviço de informações americanos, que estão tentando confirmar suas afirmações. Os especialistas disseram ao jornal que suas informações parecem confiáveis e significativas.A entrevista com Saeed foi arranjada pela Congresso Nacional do Iraque, o principal grupo de oposição iraquiano que pretende derrubar Saddan Hussein, informa o NYT. Se confirmadas, as afirmações de Saeed forneceriam munição para autoridades dentro da administração Bush que vêm defendendo a expulsão de Saddan do poder, em parte por sua falta de disposição para parar com a fabricação de armas de destruição em massa.Segundo o New York Times, o relato de Saeed fornece novos indícios sobre os tipos e possíveis localizações dos laboratórios, instalações e locais de armazenamento ilegais que as autoridades americanas e os inspetores internacionais há muito suspeitam que o Iraque está tentando esconder. O depoimento insinua também que Bagdá continuou a reformar e reparar tais instalações ilegais depois de ter proibido a entrada dos inspetores no país, há três anos. Charles Duelfer, o ex-vice-presidente do conselho do comitê da ONU que foi responsável pela inspeção de armas no Iraque, disse ao jornal que o relato de Saeed é coerente com outras informações que continuam a vir do Iraque. "A evidência mostra que o Iraque não abriu mão do seu desejo por armas de destruição", afirmou Duelfer.Saeed disse ao Times que o Iraque usou empresas para comprar equipamentos com as bênçãos da ONU e depois usou esses equipamentos secretamente em seu programa de armas não-convencionais.A reportagem do NYT afirma que Saeed já tinha contado aos representantes do Congresso Nacional iraquiano que o ajudaram a fugir do Iraque em agosto último que o Iraque testou agentes químicos e biológicos em prisioneiros xiitas e curdos em 1989 e 1992.

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