Programa do Irã pode resultar em armas nucleares, diz agência da ONU

Relatório confidencial admite pela 1ª vez temor sobre finalidade de programa nuclear iraniano.

BBC Brasil, BBC

18 de fevereiro de 2010 | 18h30

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU admitiu pela primeira vez, nesta quinta-feira, que as atividades atuais e passadas do programa nuclear do Irã poderiam estar relacionadas ao desenvolvimento de armas nucleares.

A informação está em um relatório confidencial ao qual uma correspondente da BBC em Viena, onde fica a sede da AIEA, teve acesso. O relatório, obtido pela jornalista Bethany Bell, também confirma que o Irã começou a enriquecer urânio a níveis mais altos.

Segundo o documento, a agência teria informações "consistentes e confiáveis" sobre as atuvidades nucleares conduzidas pelo Irã e as organizações envolvidas, com detalhes técnicos e cronograma.

"Isto levanta preocupações a respeito da possível existência no Irã de atividades secretas, no passado ou atuais, relacionadas ao desenvolvimento de uma carga nuclear para um míssil", diz o relatório.

Cooperação

O documento afirma que é muito importante que o Irã coopere com os inspetores da AIEA, pois a resistência do país aumenta os temores "a respeito das possíveis dimensões militares do programa nuclear do Irã".

O relatório não deu muitos detalhes, mas também confirmou que o Irã produziu uma pequena quantidade de urânio enriquecido a um nível de 20%.

Até o momento, o país conseguia enriquecer urânio apenas a 3,5% e afirmava que precisava de urânio com um nível de enriquecimento maior para um reator que produziria isótopos nucleares para uso medicinal.

Mas, o documento sugeriu que o país conseguiu produzir apenas quantidades muito pequenas atualmente.

De acordo com a correspondente da BBC em Viena Bethany Bell, o relatório confidencial deve intensificar ainda mais a polêmica em torno do programa nuclear iraniano.

O governo do Irã nega que está tentando construir uma arma nuclear e insiste que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos. Mas os Estados Unidos e outros países estão pressionando por mais sanções da ONU contra o país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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