Progresso reduz pressão separatista

O crescimento econômico e o aumento da liberdade política do Curdistão iraquiano fizeram reduzir - pelo menos por hora - o apelo local de movimentos separatistas que há décadas lutam por um Estado curdo independente. A estabilidade ajudou ainda a aproximar a região a vizinhos historicamente rivais.

, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2010 | 00h00

As relações com a Turquia, que abriga a maioria dos curdos do mundo e há décadas luta para conter o separatismo do Partido dos Trabalhadores Curdos (o PKK), tornaram-se calorosas. E mesmo os laços com o Irã, que também tem uma significativa minoria curda em seu território, cresceram.

"Quem imaginaria há dez anos que turcos construiriam aeroportos em Erbil ou Suleimaniya?", questionou recentemente o premiê do governo autônomo curdo-iraquiano, Barham Salih, a investidores britânicos.

Aparentando ter mais do que seus 45 anos, o curdo mestre de obras Dilgesh Serhat, nascido na cidade de Malazgirt, na Turquia, vive exilado no Curdistão iraquiano. Aos 16 anos, Serhat juntou-se ao PKK. Fundado por estudantes nos anos 70 como movimento político em defesa da minoria curda na Turquia, o grupo evoluiu para se tornar uma milícia separatista, cometendo atentados contra civis turcos.

"Minha vida inteira lutei pelos curdos, por nossos direitos, pela liberdade que a Turquia nos negava", explica. "Minha família não queria que eu me juntasse ao PKK, minha mulher suplicou para que não me envolvesse com eles. Mas eu queria ser livre. Nossa situação era terrível na Turquia. Não podíamos falar nossa língua, não conseguíamos trabalho, a polícia e o Exército sempre nos perseguiam."

Envolvido na insurgência, Dilgesh foi detido em Maku, no Irã, em 2002. Depois de seis meses presos, fugiu por um túnel escavado pelos prisioneiros e refugiou-se no Iraque.

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