JACK GUEZ / AFP
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Para ONU, proibir entrada de palestinos em Israel deve resultar em punição coletiva

Na quinta-feira, Exército israelense revogou permissões para 83 mil palestinos visitarem Israel após um ataque palestino a tiros matar quatro israelenses em Tel-Aviv

O Estado de S. Paulo

10 Junho 2016 | 10h07

GENEBRA - O cancelamento por Israel das permissões de entrada para palestinos após um ataque mortal em Tel-Aviv pode representar uma punição coletiva, o que é proibido pelas leis internacionais, disse nesta sexta-feira, 10, a maior autoridade de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Exército israelense revogou na quinta-feira permissões para 83 mil palestinos visitarem Israel, e informou que enviará centenas de tropas adicionais à Cisjordânia, após um ataque palestino a tiros matar quatro israelenses em Tel-Aviv.

O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, condenou o ataque, mas expressou profunda preocupação com a revogação de permissões, "que pode representar punição coletiva proibida e somente aumentará o sentimento de injustiça e frustração sentido por palestinos", disse a porta-voz Ravina Shamdasani durante entrevista coletiva.

Corpos. O novo ministro israelense da Defesa, Avigdor Lieberman, ordenou na quinta-feira que os corpos dos palestinos mortos durante ataques contra Israel não sejam devolvidos às suas famílias, informou um de seus assessores.

Essa é a primeira decisão do ultranacionalista Lieberman desde que assumiu o cargo em 30 de maio. Sua pasta supervisiona a ação do Exército nos Territórios Palestinos.

O "confisco" dos corpos é muito mal recebido pelo lado palestino, cujas famílias querem enterrar seus parentes mortos o mais rápido possível, de acordo com a tradição muçulmana.

Segurança. Os órgãos de segurança de Israel reforçaram o contingente em Jerusalém e outras regiões fronteiriças em razão da primeira sexta-feira do mês do Ramadan, o mês de jejum sagrado para os muçulmanos.

"Milhares de agentes sob o comando do chefe do distrito se mobilização amanhã (sexta-feira) e nas outras sextas-feiras do Ramadan desde cedo em Jerusalém Oriental e nas ruas da Cidade Antiga", informou a polícia em comunicado.

A nota acrescenta que, com isso, Israel quer "garantir a liberdade de culto para todas as religiões e dezenas de milhares de muçulmanos que chegarão amanhã (sexta-feira) para a oração".

As rezas ocorrerão na Esplanada das Mesquitas, onde se encontra a de Al-Aqsa, a terceira na hierarquia do Islã. Israel conhece o recinto, lugar de frequentes confrontos, como Monte do Templo e o considera seu lugar mais sagrado. /Reuters, EFE e AFP

Veja abaixo: Mortos em Tel-Aviv

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