Proibido na Grã-Bretanha o uso oficial do termo "homossexual"

O governo da Grã-Bretanha proibiu o uso oficial da palavra "homossexual" por considerá-la de caráter discriminatório e abusivo. Com a nova medida, os ministérios não poderão utilizar o termo em nenhum boletim ou documento oficial, conferência pública ou ata do governo por ser uma palavra "antiga e discriminatória".A medida, proposta pela ministra trabalhista Barbara Roche para acabar com os preconceitos sexuais e religiosos no país, obrigará os funcionários do governo a mudar a palavra "homossexual" por "pessoa com orientação sexual para outra do mesmo sexo", ou simplesmente "gay". O pedido foi feito por grupos que lutam pelo direitos dos gays na Inglaterra, que indicaram que a palavra homossexual em inglês não define com precisão a orientação sexual de um indivíduo e, sim, acrescenta um sentido discriminatório e preconceituoso", declarou Roche. Explicou que "havia muita preocupação entre grupos que lutam pelos direitos gays e decidimos tomar partido".O amor que não ousa dizer o nomeA polêmica sobre o uso da paravra na Inglaterra remete a uma outra famosa sobre o mesmo tema acontecida no Reino Unido no final do Século XIX. Em 1895, o romance entre o escritor Oscar Wilde, autor do clássico O Retrato de Dorian Gray e Salomé e um jovem da arsitocracia inglesa foi parar nos tribunais e culminou com a condenação de Wilde a dois anos de prisão com trabalhos forçados. No decorrer do processo, o juiz C. F. Gill o interpelou sobre "o amor que não ousa dizer o seu nome". A resposta de Wilde, que após cumprir a condenação e ter a sua obra banida da Inglaterra se exilou em Paris, onde morreria cinco anos depois, é até hoje usada na defesa dos direitos dos homossexuais: "O amor que não ousa dizer o nome nesse século é a grande afeição de um homem mais velho por um homem mais jovem como aquela que houve entre Davi e Jonatas, é aquele amor que Platão tornou a base de sua filosofia, é o amor que você pode achar nos sonetos de Michelangelo e Shakespeare. É aquela afeição profunda, espiritual que é tão pura quanto perfeita. Ele dita e preenche grandes obras de arte como as de Shakespeare e Michelangelo, e aquelas minhas duas cartas, tal como são. Esse amor é mal entendido nesse século, tão mal entendido que pode ser descrito como o `Amor que não ousa dizer o nome´ e por causa disso estou onde estou agora. Ele é bonito, é bom, é a mais nobre forma de afeição. Não há nada que não seja natural nele. Ele é intelectual e repetidamente existe entre um homem mais velho e um homem mais novo, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a alegria, a esperança e o brilho da vida à sua frente. Que as coisas deveriam ser assim o mundo não entende. O mundo zomba desse amor e às vezes expõe alguém ao ridículo por causa dele."

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