Projeto de Saúde baixa aprovação de Obama

Implementação confusa de sistema de aquisição de seguros faz com que a popularidade do presidente americano caia ao menor nível já registrado

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2013 | 02h11

A popularidade do presidente Barack Obama caiu para níveis historicamente baixos em razão da caótica implementação de sua reforma do sistema de saúde, que forçou a retirada do ar do website no qual milhões de americanos deveriam comprar seus novos seguros.

Principal realização do democrata, o Obamacare enfrenta oposição crescente da população, com potenciais impactos negativos para seu partido nas eleições parlamentares de 2014. Pesquisa ABC News/Washington Post divulgada ontem revela que a aprovação do trabalho do presidente caiu 13 pontos porcentuais desde o início do ano, para 42%, igual ao mais baixo nível registrado desde sua chegada ao poder, em 2009. Pela primeira vez, a maioria dos entrevistados (52%) diz ver Obama de maneira negativa.

A credibilidade do presidente também foi afetada, depois de ele afirmar repetidas vezes que os americanos que gostassem de suas apólices poderiam mantê-las após a implementação do Obamacare. A promessa foi desmontada mês passado, quando milhões de pessoas receberam cartas de suas seguradoras com a informação de que seus planos seriam cancelados quando vencessem e teriam de ser substituídos por outros, mais abrangentes e caros.

Na semana passada, Obama anunciou a prorrogação por um ano, sem alterações, das atuais apólices. Apesar disso, 50% dos entrevistados dizem que o presidente não é confiável, um aumento de 10 pontos porcentuais em um ano e a primeira vez em que o patamar é registrado.

Larry Sabato, diretor do Center for Politics da Universidade de Virgínia, avalia que não será fácil para Obama recuperar a confiança da população. "Ele enfrenta o risco de se tornar um 'lame duck' tendo ainda três anos na presidência", disse Sabato ao Estado, usando a expressão - literalmente, "pato manco" - que descreve dirigentes no fim de mandato com sucessores já escolhidos.

Em um mês, o Obamacare perdeu 8 pontos porcentuais de apoio e agora é rejeitado por 57% dos entrevistados. Aprovado em 2010, seu objetivo de estender seguros de saúde a cerca de 30 milhões de pessoas que não têm nenhum tipo de cobertura. Os que continuarem sem apólices pagarão multas a partir de 2014, elevadas a cada ano.

A promessa era que a bolsa online fomentaria competição e permitira oferta de apólices a preços acessíveis. Mas o site funcionou de maneira precária desde o primeiro dia, em 1.º de outubro - e foi tirado do ar para reparos. A expectativa é a que tenha capacidade para atender 80% dos usuários a partir do dia 30.

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