EFE/EPA/CHRISTOPHE PETIT TESSON
EFE/EPA/CHRISTOPHE PETIT TESSON

Promessa de reformas econômicas já atrai protestos da esquerda

A primeira manifestação será realizada nesta segunda-feira por uma nova união política, formada por sindicatos e partidos radicais

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2017 | 05h00

PARIS - Em até oito dias, Emmanuel Macron tomará as rédeas do poder de François Hollande, na posse a ser realizada no Palácio do Eliseu. Mas, desde esta segunda-feira, 8, o presidente eleito terá uma amostra da resistência que segmentos da sociedade imporão a seu projeto de reformas econômicas na França. Uma manifestação será realizada na Praça da República, em Paris, por uma nova união política, a Frente Social, formada por sindicatos e partidos radicais e de extrema esquerda.

Na convocação ao protesto, os organizadores exortam os franceses a participar “da primeira manifestação social do próximo mandato” contra a “regressão social eleita”. Líder do movimento França Insubmissa, de esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, quarto lugar no 1º turno da eleição, com 19% dos votos, advertiu o presidente eleito. “O programa do novo monarca presidencial é conhecido”, afirmou, pedindo uma virada na eleição legislativa, em junho. “Apelo aos 7 milhões de pessoas que se reuniram em torno do programa pelo qual fui candidato a permanecerem unidos.”

Além de enfrentar a mobilização da extrema esquerda, Macron terá três missões cruciais nas próximas semanas. A primeira será anunciar seu primeiro-ministro e montar o primeiro gabinete de governo, que deve contar com personalidades de centro-esquerda e de centro-direita. Nomes como o do atual ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, do atual prefeito de Lyon, Gérard Collomb, do ex-prefeito de Paris Bernard Delanoe e do líder centrista François Bayrou devem compor o ministério - Le Drian também é um dos cotados para o cargo de premiê.

Após o anúncio do gabinete e da posse, em princípio marcada para o dia 15, Macron pretende levar a cabo a reorganização do sistema partidário do país anunciando a transformação de seu movimento independente, En Marche!, em novo partido político. Alguns líderes políticos de perfil moderado do Partido Socialista e do partido Republicanos (conservador) devem ser convidados a se juntar à nova legenda.

Uma vez que esse partido esteja criado, Macron e seu primeiro-ministro iniciarão a campanha para as eleições parlamentares, em 11 e 18 de junho. Desse pleito sairá a composição da Assembleia Nacional e do Senado - o partido ou a coalizão que chegar à maioria absoluta terá direito de indicar o premiê.

Uma primeira pesquisa divulgada pelo instituto OpinionWay na semana passada sobre as eleições legislativas indicou que En Marche! poderia obter uma maioria na assembleia, com uma bancada entre 249 a 286 deputados - a maioria absoluta é hoje de 290. Mas uma das incógnitas dessa eleição é o desempenho do PS e dos Republicanos, que se alternaram no poder desde 1981 e podem alcançar uma maioria, impondo uma derrota a Macron.

“Caso o Congresso seja fragmentado, como nunca foi o caso na França, talvez o país entre no presidencialismo de coalizão, como no Brasil, com a diferença de que o sistema institucional francês tem a figura do premiê. O caráter inédito seria a fragmentação do Congresso”, explica Gaspard Estrada, cientista político do Instituto de Estudos Políticos (SciencesPo), de Paris. Outro desafio de Macron no poder será lidar com a oposição sistemática de Marine Le Pen e da Frente Nacional, que alcançou em 2017 a maior votação de sua história.

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