Promessas indicam desejo de negociação

As Farc ainda detêm em seu poder 405 civis, segundo estimativa da ONG País Libre, com base em dados do ministério da Defesa da Colômbia. Entre 2009 e 2011, período em que a guerrilha sofreu duros reveses nas mãos das forças de segurança, 186 dos 800 sequestros que ocorreram no país foram atribuídos ao grupo.

O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2012 | 03h03

A promessa da guerrilha de pôr fim à prática, feita em março, é um sinal de que o grupo estaria disposto a negociar, de acordo com analistas. "As últimas libertações colocam fim a uma etapa. As Farc estão tentando ganhar reconhecimento com essa proposta de acabar com os protestos e construir um ambiente favorável entre a opinião pública para começar a negociar", disse ao Estado, por telefone, o cientista político Carlos Medina, da Universidade Nacional da Colômbia. "Apesar disso, em que pese todos os reveses que sofreram, as Farc não estão derrotadas. Trocaram a guerra pelo controle territorial pela guerra de guerrilha."

Segundo a Fundación Nuevo Arco Íris, que estuda o conflito colombiano, as Farc sequestram uma média de 80 a 100 civis por ano, com liberações rápidas em troca de dinheiro. A guerrilha contesta esses números. Em comunicado, o líder do grupo, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como "Timochenko", que assumiu após a morte Alfonso Cano, acusou as cifras de serem "falsas".

Diálogo. "As Farc estão interessadas em voltar à mesa de negociação e Timochenko quer uma interlocução direta com o governo", afirmou esta semana o diretor da ONG León Valencia à agência Associated Press.

De acordo com os analistas, há três razões principais para essa aposta na desmobilização. A primeira é o aumento no número de ações contra a guerrilha. A segunda é que as Farc sabem que será muito mais difícil conversar a partir de 2013, quando a Colômbia começará a se preparar para as eleições presidenciais do ano seguinte.

Por fim, o ambiente regional ainda é favorável. Desde 2010, os governos de Venezuela e Equador têm colaborado com a Colômbia com a captura de homens da guerrilha que atuam em seus territórios, mas as Farc veem em Rafael Correa e em Hugo Chávez potenciais mediadores.

Clima político. No entanto, com a doença do presidente da Venezuela, que luta contra um misterioso câncer na região pélvica, e com a eleição presidencial venezuelana marcada para outubro, a situação pode mudar na região. / L.R.

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