Promotor acusa Pistorius de assassinato premeditado

O promotor sul-africano Gerrie Nel, que acusa Oscar Pistorius por assassinato premeditado, acredita que o atleta olímpico fez disparos contra a porta de um banheiro onde sua namorada estava encolhida, após uma discussão, no dia de São Valentin (o equivalente ao Dia dos Namorados na maior parte do mundo), atingindo Reeva Steenkamp três vezes.

AE, Agência Estado

19 de fevereiro de 2013 | 09h21

"Ela não podia ir a lugar algum, não podia correr", afirmou Nel durante a audiência para definição da fiança de Pistorius, nesta terça-feira.

A morte de Steenkamp na casa do atleta chocou os sul-africanos e pessoas ao redor do mundo, que idolatravam Pistorius por ter superado as adversidades de ser biamputado e se tornado um campeão, tendo competido nos Jogos Olímpicos de Londres no ano passado, embora seja um atleta paralímpico.

Steenkamp, de 29 anos, era modelo e advogada e estreou num reality show que foi ao ar no sábado, dois dias após sua morte.

Nel disse que o casal teve uma discussão e Steenkamp foi para o banheiro, por uma passagem de sete metros, e se trancou no local. Segundo ele, Pistorius levantou-se da cama e teve de colocar suas próteses para chegar à porta do banheiro.

O promotor disse ao tribunal que a porta foi arrebentada pelos tiros disparados, mas o advogado do atleta afirmou que não há evidências que sustentem a acusação de assassinato. "Foi para matá-la ou para tirá-la de lá?", questionou o advogado de defesa, Barry Roux, referindo-se à porta quebrada. A defesa afirma que Pistorius não sabia que a namorada estava no banheiro.

Pistorius, que parecia triste e solene no início da audiência, soluçou com a cabeça entre as mãos quando seu advogado disse que os disparos, feitos na madrugada de 14 de fevereiro, foram acidentais

De acordo com a polícia, os vizinhos disseram que ouviram uma discussão e, em seguida, os disparos. O casal estava junto havia apenas três meses.

O promotor afirmou que o assassinato foi premeditado porque Pistorius havia planejado dizer que achava que estava atirando num intruso e disse isso a sua irmã, Aimée. "Foi tudo parte do plano. Por que um invasor se trancaria num banheiro?", questionou Nel.

O advogado de defesa argumentou que Pistorius deve ser libertado sob fiança e que não há outras acusações pendentes contra o atleta. De acordo com especialistas, pode demorar meses até que o caso seja julgado.

Do lado de fora do tribunal, dezenas de mulheres protestavam contra a violência doméstica e seguravam faixas pedindo que Pistorius não seja libertado sob fiança. Numa delas estava escrito: "Pistorius deve apodrecer na prisão". As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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