Sadie Barnette
Sadie Barnette

Promotor adota método alternativo contra penas altas nos EUA

Adam Foss trabalha contra prisões em massa no país e propõe outras maneiras para lidar com sentenças longas

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE/ WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2018 | 05h00

Nos filmes ou na vida real, o promotor de Justiça americano é aquele que coloca o criminoso na prisão. Mas Adam Foss decidiu entrar na profissão para trabalhar de forma oposta, em um movimento contra o encarceramento em massa - especialmente de jovens. 

Ele se orgulha de, durante nove anos como promotor em Boston, ter usado métodos alternativos. “Uma das coisas que aprendi é que as faculdades de Direito não nos preparam para as questões com as quais lidamos nas comunidades. Aprendemos como conduzir um julgamento, mas não aprendemos sobre pobreza, trauma ou comportamento humano, que vivenciamos todos os dias”, afirma.

Ao receber o caso de Christopher, de 18 anos, que tinha roubado e vendido 30 laptops, Foss avaliou que deixar o jovem com a ficha criminal suja o faria entrar num ciclo problemático: ele não conseguiria um bom emprego ou financiamento estudantil depois de cumprir pena e logo estaria novamente preso. 

O promotor recuperou 75% dos computadores que o jovem vendeu e organizou um plano financeiro para devolver à loja o valor pelo restante. Christopher foi colocado em serviço comunitário e obrigado a desenvolver um trabalho sobre o impacto de seu caso na comunidade. Depois de seis anos, os dois se reencontraram. Christopher havia se tornado gerente de um banco. “Há milhares de Christophers por aí, vários atrás das grades”, diz Foss.

Negro e filho de um policial, Foss chegou a vender maconha na juventude, mas teve uma “intervenção” do pai, que evitou que ele fosse levado ao sistema criminal. Ele fundou o projeto “Prosecutor Impact”, cujo foco é o treinamento de novos promotores para lidar com questões como pobreza e desigualdade racial na Justiça criminal e incentivar métodos alternativos. “Boa parte da reforma do poder de procuradores é centrada em tornar mais difícil que eles exerçam esse poder. Eu olho sob um ângulo diferente: por que não fazer com que eles entendam o poder e o usem de forma apropriada?”, questiona.

Para ele, a mentalidade do encarceramento entre promotores é uma das causas para o baixo índice de libertação de presidiários idosos ou com doença terminal. A respeito de avanços, ele cita o acordo bipartidário sobre a reforma criminal. “Sou um otimista, porque é difícil imaginar como o sistema criminal dos EUA possa piorar”, afirma.

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