Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Promotor argentino acusa Irã de enviar agentes à América Latina

Alberto Nisman diz que intenção da infiltração iraniana é 'cometer e patrocinar atentados'

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

29 Maio 2013 | 19h20

BUENOS AIRES - O promotor federal Alberto Nisman acusou nesta quarta-feira, 29, o governo do Irã de armar uma rede terrorista em diversos países da América do Sul com o objetivo de cometer atentados na região. Nisman, promotor encarregado das investigações sobre o atentado realizado em 1994 contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), sustentou que o Irã infiltrou agentes de inteligência no Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile, Colômbia, Suriname, Trinidad Tobago e Guiana.

Nisman pediu a intervenção da Interpol para investigar as "estações de espionagem" que estariam sendo armadas há meia década pelo governo de Teerã. Estas "estações" teriam a missão de "cometer, estimular e patrocinar atos terroristas, em sintonia com seus postulados de exportação da revolução". O promotor enviou documentação sobre o assunto aos governos da região. "Estes agentes estão agindo agora", afirmou Guillermo Borger, presidente da Amia.

A Justiça argentina acusa o Irã de ter realizado o atentado contra a Amia há 19 anos em conjunto com o Hizbollah. O ataque, em pleno centro de Buenos Aires, teve o saldo de 85 mortos e 300 feridos e mutilados. A Argentina conta com a maior comunidade judaica da América Latina.

O promotor sustenta que na área da Tríplice Fronteira foram instaladas instituições culturais e religiosas islâmicas com "vínculos comprovados" com o financiamento do Hizbollah por intermédio de lavagem de dinheiro, contrabando, sonegação de impostos e falsificação de documentos.

Além disso Nisman sustenta que "a aliança estratégica" entre o Irã e o Hizbollah estendeu-se a São Paulo e Curitiba.

Nisman afirma que a atividade iraniana no Paraguai está aumentando por intermédio do desembarque nesse país em 2012 do líder islâmico Charif Mahmoud Sayed. "É considerado membro do aparelho de Segurança Exterior do Hizbollah e colaborador próximo de Ahmad Vahidi, atual ministro de defesa do Irã", indica.

Expansão. Nisman sustenta que a base da expansão na região foi definida em 1982 durante uma reunião de 380 sacerdotes muçulmanos de 70 países no Irã. Nesse conclave ficou definido que cada embaixada seria transformada em uma central de inteligência. Nos anos 80 e 90, de acordo com o promotor, o Irã enviou três homens cruciais para esse trabalho na América do Sul: Moshen Rabbabi, destinado à Buenos Aires; Abdul Kadir para Georgetown, na Guiana, e Tabatabaei Einaki para Brasília.

Einaki foi expulso do Brasil; Rabbani conta com um pedido de captura internacional da Interpol pelo envolvimento no atentado da Amia, enquanto que Kadir está preso nos Estados Unidos por uma tentativa de ataque no aeroporto John F. Kennedy em Nova York.

Acordo. No início deste ano o governo Kirchner fez um acordo com o governo iraniano para criar uma "comissão da verdade" conjunta para investigar o atentado contra a Amia. Esse acordo foi aprovado no Parlamento em Buenos Aires em fevereiro com a oposição da comunidade judaica, que sustenta que isso implica em um retrocesso para as investigações.

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