(Photo by Luka GONZALES / AFP)
(Photo by Luka GONZALES / AFP)

Promotor da Lava Jato peruana pede prisão preventiva de Keiko

Enquanto o resultado da eleição presidencial de domingo continua sendo apurado, o procurador José Domingo Pérez afirma que a candidata direitista se reuniu indevidamente com uma testemunha do caso Odebrecht

Fernanda Simas, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2021 | 12h26
Atualizado 10 de junho de 2021 | 18h49

    LIMA - Um procurador da equipe especial da Lava Jato peruana pediu nesta quinta-feira, 10, a prisão preventiva da candidata Keiko Fujimori, por ter se reunido indevidamente com uma testemunha do caso Odebrecht, enquanto o resultado da eleição presidencial de domingo continua em aberto.

    O procurador José Domingo Pérez pediu à Quarta Vara do Crime Organizado "que seja revogado o comparecimento com restrições (liberdade condicional) e seja emitida a prisão preventiva contra a candidata Keiko Fujimori Higuchi", que disputa a presidência do Peru contra o candidato de esquerda Pedro Castillo, que tem uma leve vantagem na apuração dos votos.

    “Se determinou novamente que a acusada Fujimori Higuchi cumpra a determinação de não se comunicar com testemunhas; e se tornou público e notório que ela se comunica com a testemunha Miguel Torres Morales”, afirmou o procurador.

    Na entrevista coletiva que Keiko concedeu na quarta-feira 09, quando anunciou que que pediria a revisão de 802 atas de votação - o que representa cerca de 200 mil votos -, a candidata do partido Força Popular apareceu ao lado de Miguel Torres Morales, que é testemunha de acusação fiscal no caso Odebrecht e, segundo Pérez, prestou depoimento em setembro de 2020, na presença da advogada de Keiko, Giulliana Loza. 

    Segundo pessoas próximas à campanha de Keiko, Morales se tornou um porta-voz da campanha desde que ela passou para o segundo turno e a acompanhou em diversos atos políticos. Ex-congressista, Morales é amigo de Keiko há anos e diz que apenas tratou de temas de campanha com a candidata conservadora.

    "O caso é claro. O procurador fez o pedido porque a senhora Keiko Fujimori não cumpriu com a regra de não se reunir com testemunhas. No entanto, isso não está de acordo com a lei processual porque o artigo 887, numeral 3.º do Código Processual Penal do ano de 2004 determina que antes da revogatória, o procurador precisa fazer um requerimento, ou seja, uma etapa anterior, um puxão de orelhas, antes de pedir a prisão", explica o advogado penalista Carlos Caro Coria.

    Em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira, a candidata do Força Popular afirmou que seguiria com suas responsabiliades e não se preocuparua com "pedidos absurdos, arbitrários e sem sustentação". "O procurador José Domingo Pérez sabe perfeitamente onde vivo, então seguirei com minhas responsabilidades sem me distrair com pedidos absurdos, arbitrários e sem sustentação", afirmou, ao lado de sua advogada. 

    Keiko é investigada por receber dinheiro ilegal da construtora brasileira Odebrecht para as campanhas de 2011 e 2016, mas nega as acusações. Como não foi condenada, Keiko pode se candidatar. 

    Em março, Pérez pediu uma pena de 30 anos e 10 meses de prisão para Keiko pelos crimes de lavagem de dinheiro, crime organizado, obstrução de justiça e declaração falsa em processo administrativo. Se não vencer as eleições, Keiko pode ser julgada. Caso vença, o seu processo fica congelado até que ela deixe o cargo. 

    Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, Keiko ficou em prisão preventiva por 1 ano e 4 meses em 2020. 

    Agora, o juiz Víctor Zúñiga Urday deve convocar uma audiência para ouvir os argumentos do procurador Pérez e da defesa de Keiko, mas ainda não há data definida. Segundo Caro Coria, o pedido deve ser analisado de maneira rápida em razão do momento vivido no país. "Este pedido não deve prosperar, mas será debatido e o juiz deve decidir de forma imediata talvez. De toda forma, isso está inserido em um contexto político muito importante."

    Voto a voto

    Keiko disputa a eleição presidencial com o candidato de esquerda Pedro Castillo, que aparece na frente, com uma pequena vantagem. Com 99% das urnas apuradas, Castillo tem 50,2% dos votos e Keiko, 49,7%.

    Ao pedir a anulação de 200 mil votos, a campanha de Keiko alegou irregularidades e indícios de fraude. A própria candidata havia dito, no começo da semana, que teria vídeos para provar as acusações. Observadores internacionais até agora dizem que o processo eleitoral ocorreu normalmente. 

    Castillo falou em vitória na quarta-feira e recebeu uma série de congratulações ao longo do dia. A diferença entre os dois candidatos é de 71.455 votos. Nesta quinta-feira, o partido Peru Livre anunciou o pedido para anular 128 atas eleitorais na região de Loreto, argumentando que a hora da votação não estava marcada ou havia rasura no que estava escrito.

    Nesta quinta, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, postou uma mensagem de parabéns pela vitória de Castillo, mas a apuração continua no país andino. "Hoje conversei com @PedroCastilloTe, presidente eleito do Peru. Expressei a ele meu desejo de unirmos forças em favor da América Latina. Somos nações profundamente irmãs", escreveu Fernández em seu Twitter. 

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