Promotor em Haia abre inquérito sobre ataque da Coreia do Norte

Corte internacional vai avaliar se país cometeu crimes de guerra em ação contra Coreia do Sul.

BBC Brasil, BBC

06 de dezembro de 2010 | 14h45

Tensão na península coreana mobiliza líderes chineses e americanos

O promotor do Tribunal Penal Internacional, na cidade holandesa de Haia, anunciou nesta segunda-feira que abriu uma investigação preliminar para avaliar se o recente bombardeio da Coreia do Norte à ilha sul-coreana de Yeonpyeong configura ou não um crime de guerra.

No mês passado, as Forças Armadas da Coreia do Norte abriram fogo em direção a ilha sul-coreana em um confronto que deixou pelo menos quatro mortos.

Em um comunicado, o promotor Luis Moreno-Ocampo disse que a investigação se estenderá também aos episódios ligados ao afundamento do navio sul-coreano Cheonan, atingido por um torpedo norte-coreano em março.

O afundamento do Cheonan resultou na morte de 46 pessoas. A Coreia do Norte nega qualquer envolvimento com o episódio.

Na semana passada, o chefe dos serviços de inteligência sul-coreanos, Won Sei-hoon, disse a um comitê parlamentar que existe grande possibilidade de um novo ataque por parte da Coreia do Norte.

O sul-coreano endossou a visão de muitos analistas que veem as ações da Coreia do Norte no contexto de um momento de sucessão dentro do regime norte-coreano e de uma piora da situação econômica do país.

A Coreia do Norte não reconhece as fronteiras marítimas declaradas pelas forças da ONU ao final da Guerra da Coreia, encerrada em 1953, que opôs o vizinho comunista do norte contra a Coreia capitalista do sul.

Telefonema

China pediu que exercícios militares não incentivem escalada de tensões

Nesta segunda-feira, o presidente da China, Hu Jintao, discutiu por telefone com seu colega americano, Barack Obama, as tensões entre as Coreias do Sul e do Norte.

Segundo a agência estatal chinesa, Xinhua, durante a conversa, Hu advertiu que a crise entre os dois vizinhos pode sair do controle, e pediu uma reação "tranquila e racional" de todas as partes envolvidas no conflito.

De acordo com um comunicado da Casa Branca, durante a conversa telefônica com Hu Jintao, Obama pediu que a China condene as ações da Coreia do Norte.

O correspondente da BBC em Pequim, Martin Patience, afirma que a China está sob pressão para conter a Coreia do Norte, de quem é o principal aliado.

O telefonema coincidiu com o primeiro dia dos exercícios militares armados conduzidos por soldados dos Estados Unidos e da Coreia do Sul na península.

As simulações, que envolvem disparos de navios e de artilharia, estão sendo conduzidas em 29 pontos das costas leste, oeste e sul da península.

Cinco ilhas próximas da zona em disputa entre os dois países também estão incluídas, mas a área mais contenciosa - no mar a oeste das Coreias - foi deixada de lado.

De acordo com a Xinhua, Hu Jintao pediu a Obama que os exercícios sejam comedidos e evitem resultar em uma escalada das tensões.

Em meio à crise na região, os ministros do Exterior de Estados Unidos, Japão e Coreia do Norte se reuniriam em Washington nesta segunda-feira para discutir a crise entre os dois vizinhos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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