Alejandro Pagni/AFP
Alejandro Pagni/AFP

Promotor indicia Cristina com base em denúncia de Nisman

Iminência do indiciamento havia levado a Casa Rosada a denunciar no início do dia um 'golpismo judicial'

Rodrigo Cavalheiro, correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

13 de fevereiro de 2015 | 14h48


BUENOS AIRES - O promotor Gerardo Pollicita indiciou nesta sexta-feira a presidente argentina, Cristina Kirchner, o chanceler Héctor Timerman e dirigente kirchenristas com base na acusação feita por seu colega Alberto Nisman quatro dias antes de morrer, no dia 18 (leia aqui a denúncia completa). A iminência do indiciamento havia levado a Casa Rosada a denunciar no início do dia um "golpismo judicial".

O indiciamento não prevê data para que os mencionados deponham, mas indica que Pollicita considera a hipótese levantada por Nisman válida e pede o aprofundamento da investigação.

O promotor encontrado com um disparo na cabeça em seu banheiro no dia 18 acusou a presidente, o chanceler e dirigentes governistas de proteger altos funcionários iranianos que, para a Justiça argentina, estiveram envolvidos no atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), onde morreram 85 e se feriram mais de 300. O acobertamento estaria relacionado a um pacto comercial entre o Irã e a Argentina, que envolveria troca de petróleo por grãos. Seu corpo foi encontrado um dia antes de esclarecer no Congresso argentino suas denúncias.

O governo classificou a medida como uma tentativa de desestabilizar o governo. "(O indiciamento) Não tem valor jurídico nenhum, mas o efeito é estrepitoso. Por isso questiono o promotor (Pollicita), porque é uma clara manobra de desestabilização antidemocrática", disse o porta-voz Aníbal Fernández, que completou: "Se minha mãe escuta isso, que não sabe nada de direito, o que entende é 'a presidente envolvida nisso'". O porta-voz da presidência, Jorge Capitanich, também se manifestou. "É golpismo judicial ativo. O único objetivo é geral impacto político", afirmou.

Nesta sexta-feira, será divulgada a composição do grupo que substituirá o Nisman na investigação do atentado. Uma nova visita de peritos será feita no apartamento do promotor no bairro de Puerto Madero.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.