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Promotor kirchnerista definirá futuro de denúncia de Nisman contra Cristina

BUENOS AIRES - O kirchnerismo está maisperto de se livrar definitivamente da denúncia do promotor Alberto Nisman, quequatro dias antes de ser encontrado morto com um disparo na cabeça, em 18 dejaneiro, acusou a cúpula do governo de acobertar iranianos considerados pelaJustiça os autores do atentado contra a uma associação judaica em 1994. O futuro da causa serádecidido pelo promotor de terceira instância Javier De Luca, integrante doJustiça Legítima, um grupo do Ministério Público e do Judiciário que seapresenta abertamente como kirchnerista. Para o promotor de segunda instânciaGermán Moldes, que tenta dar uma sobrevida à acusação de Nisman, rejeitada duasvezes na Justiça, o caso parou em De Luca por uma manobra jurídica dogoverno. 

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2015 | 19h29

Na terça-feira, 14, orecurso de Moldes para que a denúncia chegasse à mais alta corte penal do paísfoi aceito pelo tribunal de segunda instância que rejeitou investigá-la. Sob alegaçãode “questões administrativas pendentes”, entretanto, ela não foi distribuídanesta quarta-feira, 15 – isso a teria colocado a cargo de outro promotor.Depois de Moldes prever uma “manobra de engenharia judicial” caso a denúncianão fosse distribuída com rapidez, De Luca acusou o colega de se deixarinfluenciar por suas preferências políticas. “Levarei o caso adiante sejuridicamente o recurso for bom”, disse De Luca.

Se ele considerar que adenúncia não tem força suficiente para que se abra uma investigação, apresidente Cristina Kirchner, o chanceler Héctor Timerman e outros funcionáriosdo governo indiciados ficam livres da acusação. “Seria estranho, pois aprocuradoria deveria cultivar um padrão entre seus integrantes”, avalia MartínBohmer, professor de direito da Universidade de Buenos Aires.

Nisman acreditava que oacordo firmado por Cristina com o Irã, para ouvir em Teerã os acusados doatentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), era uma fachadapara pactos comerciais e liberação dos suspeitos de ordens de prisãointernacionais. 

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