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Promotor que investigava ex-ditador paquistanês é assassinado com 13 tiros

Um dos promotores mais respeitados do Paquistão, Chaudhry Zulfikar Ali, foi assassinado ontem por atiradores em Islamabad. Ali investigava o papel do ex-ditador Pervez Musharraf na morte da ex-premiê Benazir Bhutto, em uma explosão em 2007, e a série de atentados que matou 169 pessoas em Mumbai, Índia, em 2008, atribuída ao grupo Lashkar-i-Taiba, suspeito de ligação com a inteligência paquistanesa.

ADRIANA CARRANCA, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2013 | 02h07

O promotor foi atingido por 13 tiros na cabeça, ombro e tórax, dentro de seu carro, quando se dirigia à corte, em Rawalpindi, cidade vizinha à capital, para uma audiência sobre a morte de Benazir. Até a noite de ontem, nenhum grupo assumiu a autoria do crime, mas a suspeita recai sobre os envolvidos nos casos que ele investigava.

Dias antes, Ali disse a jornalistas que vinha recebendo ameaças de pessoas ligadas ao caso Benazir. Na semana passada, o promotor declarou a colegas que já tinha reunido evidências suficientes para incriminar o ex-ditador Musharraf pelo assassinato da ex-premiê, que na época estava em campanha para voltar ao poder pelo Partido Popular do Paquistão após oito anos de autoexílio.

No dossiê montado por Ali está um documento secreto da agência de inteligência paquistanesa (ISI), obtido pelo Estado, que prova que o governo de Musharraf, então no poder, foi avisado 11 dias antes do atentado contra Benazir de que a Al-Qaeda planejava uma ação para matá-la.

No memorando intitulado "Ameaça da Al-Qaeda", assinado pelo diretor-geral de Inteligência do Paquistão, brigadeiro Abdul Basif Rena, e enviado no dia 10 de dezembro ao então ministro do Interior, Syed Kamal Shah, o ISI informa ter dados confiáveis de que "grupos extremistas relacionados à Al-Qaeda tinham algum plano para assassinar Benazir e o seu assessor, Rehman Malik, no dia 21 (de dezembro de 2007)", data em que o atentado ocorreu. "O exato plano de execução não é conhecido", dizia o documento. A informação ficou retida no governo e nada foi feito para evitar o atentado.

Musharraf, que nega as acusações, está em prisão domiciliar desde a semana passada por envolvimento no caso que se arrasta há anos sem condenações. A Justiça também o proibiu de exercer cargo público. O general da reserva, que tomou o poder em um golpe em 1999 e governou por quase uma década até 2008,voltou ao país em março, após 4 anos de autoexílio. Seu partido - Liga Muçulmana de Todo o Paquistão - prometeu ontem boicotar as eleições gerais, marcadas para sábado.

No caso dos atentados em Mumbai, sete suspeitos foram indiciados, mas não houve progresso nas investigações, o que rendeu críticas da Índia. O líder do Lashkar-i-Taiba continua solto. Suspeita-se que o grupo foi criado pelo ISI, a agência de inteligência do Paquistão, para pressionar o governo indiano na disputa pela Caxemira.

Violência. A uma semana das eleições gerais, o Paquistão vive uma onda de violência. Ontem, Sadiq Zaman Khattak, candidato ao Parlamento pelo secular Partido Nacional Awami, e o filho dele, de 6 anos, foram mortos por atiradores em Karachi. Um partidário do Awami foi morto em outro atentado. O Taleban fez ameaças a dois outros partidos seculares.

Em meio à turbulência, o presidente Barack Obama nomeou ontem como enviado ao Afeganistão e Paquistão o diplomata James F. Dobbins, de 70 anos. Ele representou o governo de George W. Bush no Afeganistão logo após o 11 de Setembro.

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